Jovem pede à Justiça para retirar nome da mãe da certidão após relatar anos de abusos
A biomédica e estudante de Ciências Econômicas Heloísa Rodrigues, de 28 anos, aguarda uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) sobre o pedido para retirar o nome da mãe de sua certidão de nascimento. A jovem afirma ter sido vítima de anos de abusos durante a infância e recorre à Justiça desde 2024 para romper oficialmente o vínculo registral com a genitora.
Em primeira instância, a Justiça autorizou apenas a retirada dos sobrenomes maternos do nome de Heloísa, mas negou a exclusão da filiação da mãe do registro civil. A defesa recorreu da decisão e aguarda o julgamento da apelação.

Caso ganhou repercussão nas redes sociais
O processo ganhou grande repercussão após Heloísa publicar um vídeo nas redes sociais relatando os abusos que afirma ter sofrido quando criança. Segundo ela, a mãe a entregava a homens que abusavam sexualmente dela desde os 9 anos.
Na publicação, que ultrapassou 1 milhão de visualizações, a jovem questionou a decisão judicial.
“Por que a genitora precisa ser protegida de uma ‘morte civil’, mas a filha não pode ser protegida de continuar carregando, pelo resto da vida, o nome de quem a vendeu para homens desde os 9 anos e destruiu completamente a sua infância?”, escreveu.
Justiça reconheceu abusos, mas manteve filiação
Na sentença, proferida em dezembro de 2025, o juiz reconheceu que Heloísa foi submetida a “abusos, negligência e crueldade” por parte da mãe.
O magistrado também citou um laudo psicológico que relaciona o sofrimento da autora à figura materna e recomenda a desvinculação civil como forma de autopreservação emocional.
Apesar disso, a decisão concluiu que a legislação brasileira não permite excluir a maternidade do registro civil, por considerar que a filiação deve refletir a origem biológica da pessoa.
Ao mesmo tempo, a Justiça autorizou a retirada dos sobrenomes maternos “Alves Duque”, entendendo que sua manutenção representava um símbolo permanente dos traumas vividos.

Defesa pede exclusão da filiação
A advogada Andrea Galliza recorreu da sentença e pede que o Tribunal reforme a decisão para retirar também a filiação materna da certidão de nascimento.
Segundo a defesa, manter o vínculo registral viola princípios constitucionais como a dignidade da pessoa humana, a proteção integral da criança e o direito à saúde psíquica.
A advogada argumenta ainda que a Constituição estabelece igualdade de deveres entre pai e mãe e, por isso, as consequências jurídicas para violações graves também devem ser aplicadas de forma igual.
Pai biológico passou a constar na certidão
Durante a tramitação do processo, Heloísa também conseguiu o reconhecimento judicial da paternidade biológica.
Atualmente, sua certidão de nascimento registra tanto o pai biológico quanto o pai que a reconheceu no nascimento.
Segundo a defesa, a mãe nunca apresentou contestação ao processo e também nunca foi presa. As denúncias feitas por Heloísa foram encaminhadas, à época, ao Conselho Tutelar.
