Morango do amor vira febre nas redes e ganha versões com melancia, kiwi e pistache
Nos últimos dias, um doce brilhante, crocante e colorido invadiu os feeds das redes sociais e se transformou em um verdadeiro fenômeno gastronômico. A febre das frutas do amor — versão gourmet da tradicional maçã do amor — ganhou espaço no TikTok, Instagram e nas vitrines de confeiteiras de todo o Brasil.
A receita combina fruta fresca (morango, uva, kiwi, mexerica, entre outras), brigadeiro branco e uma calda de caramelo vermelho reluzente. Simples e visualmente impactante, o doce virou protagonista de vídeos virais e, mais que isso, se tornou uma oportunidade de faturamento rápido para pequenos negócios.

Das redes para o negócio
A influenciadora Ananda Vasconcelos foi uma das responsáveis por popularizar a trend. Após publicar um vídeo da “uva do amor”, alcançou quase 9 milhões de visualizações e ganhou mais de 40 mil seguidores no TikTok. Desde então, passou a testar e compartilhar versões com banana, pistache, maracujá, melancia e até limão.
“Todas as frutas que postei, eu fiz pela primeira vez e estava testando. Agora quero experimentar com jaca, abacaxi, manga”, conta. Para ela, o movimento virou a “nova Páscoa da confeitaria”: “Com o chocolate caro, pouca gente lucrou na Páscoa. Essa tendência chegou para movimentar o caixa de quem vive da confeitaria”.
Demanda explodiu nas confeitarias
Em Niterói (RJ), a confeiteira Júlia Carvalho, da tradicional Frutas do Amor Niterói, viu o faturamento triplicar em poucos dias. A empresa, ativa desde 1995, atendia majoritariamente com maçãs do amor e frutas cobertas com chocolate. Com a chegada da nova receita, a demanda explodiu: são cerca de 300 unidades vendidas por dia — e mais de mil pessoas tentando comprar.
“Já éramos conhecidas no bairro, mas agora tem gente vindo de outras regiões só para experimentar”, afirma. Cada unidade custa R$ 15.
No Espírito Santo, Millena Moreira também aderiu ao fenômeno. Em apenas duas semanas, dobrou a produção de sua loja: de 400 para 800 unidades diárias. Ela criou versões com pistache, brigadeiro de ninho e maracujá e começou a ensinar outras confeiteiras pelas redes. Cada fruta custa R$ 16.
Ainda dá tempo de entrar na tendência?
Segundo Janaína Camilo, especialista do Sebrae, sim — mas é preciso agir rápido. “Você não precisa criar algo novo. Basta aproveitar o que já está bombando, caprichar na apresentação, colocar um nome criativo e postar nas redes. Mesmo com poucos seguidores, um vídeo bem feito pode alcançar muita gente.”
Ela recomenda:
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📦 Começar com estoque pequeno e testar a aceitação;
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🎵 Usar sons em alta e marcar localização para alcançar clientes próximos;
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🎥 Apostar em vídeos com som crocante e calda brilhante;
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⏰ Agir com rapidez, pois tendências na internet mudam rápido.
Mais do que vender o doce, o segredo está em vender a experiência: sabor, nostalgia e estética. “Tem memória afetiva, tem visual bonito, tem sabor. Isso tudo conta e permite cobrar um valor um pouco acima, se o produto entregar valor”, reforça Janaína.
De onde veio a ideia?
Embora o visual lembre o tradicional doce de festa junina, a fruta do amor tem inspiração também no tanghulu, espetinho de frutas caramelizadas típico da China, criado ainda na Dinastia Song (960–1279). A maçã do amor, por sua vez, surgiu nos Estados Unidos em 1908 e chegou ao Brasil por volta das décadas de 1940 e 1950.
Tendência com prazo de validade
Para Ananda Vasconcelos, a febre das frutas caramelizadas pode durar pouco. “Acho que o pico deve acabar em cerca de uma semana. Isso acontece com quase todo conteúdo viral. Quem trabalha com internet precisa saber surfar essas ondas. Foi isso que eu fiz”, finaliza.
