STF julga nesta terça ação contra Eduardo Bolsonaro por suposta interferência em julgamento sobre golpe de Estado
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) julga nesta terça-feira (16) a ação penal contra o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
O processo apura uma acusação de coação no curso do processo. Segundo a denúncia, o ex-parlamentar teria tentado interferir no julgamento envolvendo seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A sessão começa às 14h, de forma presencial. Além disso, o público poderá acompanhar a transmissão pela Rádio e TV Justiça e pelo canal do STF no YouTube.
Acusação apresentada pela PGR
A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou Eduardo Bolsonaro por declarações públicas e publicações em redes sociais.
De acordo com a acusação, ele teria buscado apoio internacional para pressionar autoridades brasileiras, incluindo ministros do STF.
Segundo a PGR, o ex-deputado teria divulgado articulações nos Estados Unidos relacionadas a sanções contra integrantes da Corte e medidas econômicas contra o Brasil.
Além disso, a acusação afirma que essas ações tinham o objetivo de pressionar o Judiciário durante o julgamento da ação penal envolvendo a tentativa de golpe de Estado.
Defesa questiona processo
A defesa do ex-parlamentar ficou sob responsabilidade da Defensoria Pública da União (DPU), já que ele não apresentou advogado próprio.
A DPU argumenta que existem possíveis nulidades no processo. Entre elas, questiona a participação do ministro Alexandre de Moraes no julgamento.
A defesa também afirma que a citação deveria ocorrer por meio de carta rogatória, instrumento usado na cooperação jurídica internacional.
No mérito, a DPU sustenta que as manifestações de Eduardo Bolsonaro representavam opiniões políticas e críticas ao Judiciário.
Processo chegou à fase de julgamento
Em novembro do ano passado, a Primeira Turma do STF recebeu a denúncia apresentada pela PGR.
Com isso, Eduardo Bolsonaro passou à condição de réu. Depois disso, começou a fase de produção de provas.
Após as manifestações finais da acusação e da defesa, o processo ficou pronto para julgamento.
Na última sexta-feira (12), a DPU pediu o adiamento da análise. Entretanto, o relator, ministro Alexandre de Moraes, negou o pedido.
Segundo Moraes, o regimento interno permite que a Turma decida com três ministros presentes.
Como será a votação
Inicialmente, Alexandre de Moraes fará a leitura do relatório do caso.
Depois, o representante da PGR fará a manifestação da acusação. Em seguida, a defesa apresentará seus argumentos.
Cada lado terá uma hora para sustentação oral, conforme prevê a Lei 8.038/1990.
Após essa etapa, os ministros votarão. Além do relator, participam da decisão Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino.
A decisão ocorrerá por maioria de votos. Caso haja condenação, a Turma também definirá a pena.
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