Genro mata ex-sogro em farmácia, é condenado a mais de 17 anos e crime é flagrado em vídeo
O Tribunal do Júri condenou Felipe a 17 anos e quatro meses de prisão pelo assassinato do ex-sogro João do Rosário Leão, morto a tiros dentro de uma farmácia no Setor Bueno, em Goiânia. O crime ocorreu em junho de 2022 e foi motivado por desentendimentos familiares e pelo fim do relacionamento entre o réu e a filha da vítima.
O julgamento foi realizado nesta segunda-feira (20), após ter sido adiado em outubro do ano passado, quando uma das juradas passou mal durante os debates no plenário.

Felipe respondia por homicídio qualificado e porte ilegal de arma de fogo, mas acabou absolvido deste último crime. A defesa informou que irá recorrer da decisão, alegando nulidades no julgamento e questionando a dosimetria da pena.
Segundo o advogado Allan Hahnemann, o juiz responsável pelo júri teria extrapolado suas funções ao intervir de forma recorrente nos depoimentos apresentados pela defesa.
“Houve interferências constantes durante as falas das testemunhas da defesa, com interrupções e situações constrangedoras, o que compromete a imparcialidade do julgamento”, afirmou.
Outro ponto levantado pelos advogados é a semi-imputabilidade de Felipe. De acordo com a defesa, laudos médicos indicam que o réu não tinha plena capacidade de compreender a gravidade de seus atos no momento do crime.
“Os exames apontam que ele tinha apenas entendimento parcial do caráter ilícito da conduta, em razão de transtornos mentais. Ele fazia uso de medicamentos e havia tentado suicídio na noite anterior”, declarou Hahnemann.
Além do pedido de anulação do júri, a defesa pretende solicitar a redução da pena, que considera desproporcional.
O crime
João do Rosário Leão, de 63 anos, era policial civil aposentado e trabalhava em uma farmácia quando foi morto. Imagens das câmeras de segurança mostram Felipe entrando no estabelecimento armado e apontando a arma diretamente para o sogro.
Após os primeiros disparos, João caiu atrás do balcão. Mesmo assim, o réu pulou o balcão e efetuou novos tiros. A vítima foi socorrida e levada ao Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo), mas morreu pouco depois. Ele foi atingido principalmente na cabeça e chegou ao hospital em estado gravíssimo.
Durante o processo, a defesa sustentou que Felipe sofreu um surto psicótico no momento do crime e que se sentia ameaçado pela família da ex-companheira. No entanto, um laudo produzido no âmbito da Justiça concluiu que ele era imputável e tinha condições de responder por seus atos.
Os advogados também alegaram que o réu acreditava que o ex-sogro teria registrado uma ocorrência policial com o objetivo de prejudicá-lo. O boletim, de fato, foi registrado após Felipe ter ido à casa da vítima, apontado uma arma para João e para Kennia, além de efetuar disparos para o alto.
