1 mês após substituir prefeito, vice pede afastamento do cargo em Taquaritinga, SP
À frente da Prefeitura de Taquaritinga (SP) desde o final de fevereiro deste ano, quando o prefeito, Vanderlei José Marsico, foi afastado pela Justiça, o vice, Luiz Fernando Coelho da Rocha, pediu nesta segunda-feira (1) o afastamento dele do cargo.
No pedido, Rocha não detalha os motivos que o levaram a tomar a decisão, mas diz que a saída “não revela que esteja abdicando da confiança abjudicada pela população”.

Agora, caberá à Câmara Municipal analisar a solicitação.
Caso o afastamento seja confirmado, quem assumiria o cargo de Chefe do Executivo seria o atual presidente da Câmara, Valcir Conceição Zacarias.
Afastamento do prefeito
O prefeito, Vanderlei José Marsico, e o secretário da Fazenda do município, Carlos Fernando Montanholi, estão afastados da Prefeitura de Taquaritinga desde o dia 26 de fevereiro, após sentença proferida pela juíza Taiana Horta de Pádua Prado, que determinou a medida pelo prazo de 90 dias.
Marsico e Montanholi foram denunciados pelo Ministério Público no fim do ano passado por improbidade administrativa e danos graves ao erário, que começaram em 2017, primeiro ano do mandato do prefeito.
Segundo o órgão, as investigações indicam, por exemplo, inconsistência nos valores divulgados pela prefeitura em 2022, onde o saldo chegou a constar R$ 77.807.423,36, mas os extratos bancários demonstraram R$ 5.983.729,90, o que representa 30,55% a menos da receita corrente líquida do município.
Uma semana depois do afastamento, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo negou pedido da defesa do prefeito para suspender a decisão durante julgamento de recurso interposto.
Descontrole das contas públicas
Segundo o MP, déficit financeiro e dívidas da prefeitura de Taquaritinga tem se avolumado desde 2017, quando começou a gestão de Marsico, que está no segundo mandato. Montanholi assumiu a Secretaria da Fazenda em 2018.
De acordo com a promotora de Justiça Patrícia Frighetto Gasparini, a atual situação do município tem gerado ‘instabilidade em todas as áreas, como saúde, educação e assistência social’.

Uma análise criteriosa da gestão nos últimos sete anos aponta descontrole das contas públicas que tiveram como consequência:
- obras paralisadas ou atrasadas
- falhas na gestão de enfrentamento à covid-19
- atrasos nos pagamentos de encargos sociais
- horas extras habituais
- informações desencontradas da contabilidade
- atrasos nos pagamentos dos precatórios
- atrasos nos pagamentos de contas de água do município
- atraso em repasses a instituições (APAE, Casa Abrigo, Santa Casa de Misericórdia, Hospital de Olhos)
