O whey protein ganhou espaço entre praticantes de atividade física, mas será que ele é indispensável? Especialistas explicam que, para a maioria das pessoas, o leite pode fornecer proteínas de qualidade e atender às necessidades nutricionais, desde que faça parte de uma alimentação equilibrada.
O whey protein se tornou um dos suplementos mais populares entre frequentadores de academias. No entanto, muitas pessoas desconhecem que sua principal matéria-prima é o soro do leite, uma proteína obtida durante o processamento desse alimento.
Diante disso, surge uma dúvida comum: quem pratica exercícios físicos realmente precisa investir em suplementos ou o leite pode cumprir esse papel?
Segundo a nutricionista Amanda Cristina Motter Senta, especialista em Nutrição Clínica com 16 anos de experiência, a resposta depende dos objetivos e da rotina de cada pessoa.
Leite e whey têm diferenças importantes
Embora tenham a mesma origem, leite e whey protein apresentam composições diferentes.
Enquanto o leite fornece proteínas, carboidratos, gorduras, vitaminas e minerais, o whey concentra uma quantidade maior de proteínas por porção. Além disso, o suplemento contém pouca gordura e poucos carboidratos. Em algumas versões, esses nutrientes nem estão presentes.
“O leite puro contém proteínas, carboidratos e gorduras, enquanto o whey possui uma quantidade maior de proteínas por porção, não contém gorduras e tem pouquíssimos carboidratos, sendo que em algumas formulações não há nenhum carboidrato”, explica Amanda Cristina.
A maioria das pessoas não precisa de suplementação
De acordo com a nutricionista, o whey protein faz mais sentido para atletas ou pessoas que precisam consumir grandes quantidades de proteína diariamente.
Por outro lado, quem frequenta a academia duas ou três vezes por semana, seja por saúde ou estética, normalmente consegue atingir a necessidade diária apenas com a alimentação.
“Para a maioria das pessoas que fazem atividade física em academia duas ou três vezes por semana, é possível suprir essa necessidade diária consumindo leite, principalmente nas versões desnatada ou semidesnatada”, afirma.
Leite pode fazer parte do pré e do pós-treino
O leite também pode integrar refeições antes ou depois dos exercícios.
Segundo a especialista, tudo depende do objetivo individual. Quem busca emagrecer, por exemplo, pode optar pelo leite desnatado ou por iogurtes com menor teor de gordura.
Além disso, receitas simples, como leite batido com frutas e aveia, representam uma alternativa prática para o pré ou pós-treino.
Ainda assim, Amanda destaca que o leite não substitui completamente o suplemento em todas as situações.
“O suplemento pode ser prático para atletas, praticantes de atividade física intensa ou pessoas que precisam de grandes quantidades de proteína por dia. Para a maioria das pessoas, porém, receitas simples podem cumprir esse papel.”
Um copo de leite ajuda na recuperação muscular
Um copo de 200 ml de leite fornece aproximadamente 6 gramas de proteína.
Por isso, ele contribui para a recuperação muscular após os exercícios. Entretanto, especialistas recomendam combinar o leite com outras fontes de proteína.
Entre elas estão:
ovos;
carnes;
peixes;
frango;
leguminosas, como feijão, lentilha e grão-de-bico.
Dessa forma, a refeição se torna mais completa e atende melhor às necessidades do organismo.
Leite também oferece vitaminas e minerais
Além das proteínas, o leite fornece cálcio, vitaminas e minerais importantes para a saúde dos ossos, dos músculos e do sistema imunológico.
Outro ponto destacado pela nutricionista é a segurança sanitária do alimento.
Como se trata de um produto de origem animal, o leite passa por diversas etapas de fiscalização antes de chegar ao consumidor.
Tecnologia garante mais segurança ao leite
Segundo Vinícius Junqueira, diretor de marketing da Marajoara Laticínio, a indústria investiu em tecnologia para aumentar a qualidade do produto.
Entre os principais avanços, está o processo UHT (Ultra High Temperature).
Nesse sistema, a indústria aquece rapidamente o leite entre 130°C e 150°C e, logo depois, promove um resfriamento imediato.
Como resultado, o processo elimina cerca de 99,9% das bactérias potencialmente nocivas, sem a necessidade de conservantes.
Além disso, o tratamento permite armazenar o leite por vários meses sem refrigeração, desde que a embalagem permaneça fechada.
Embalagem longa vida ampliou a conservação
Outro avanço importante foi a popularização das embalagens cartonadas, conhecidas como caixinhas longa vida.
Atualmente, elas representam mais de 90% do leite comercializado no Brasil.
Segundo Vinícius Junqueira, esse tipo de embalagem aumentou o prazo de conservação e facilitou o transporte do produto para diferentes regiões do país.
Assim, o leite passou a chegar com segurança a locais cada vez mais distantes, mantendo suas características por mais tempo.
Quando vale a pena usar whey?
Especialistas reforçam que o whey protein continua sendo uma ferramenta útil em situações específicas.
Contudo, a suplementação deve considerar fatores como intensidade dos treinos, necessidades nutricionais e orientação profissional.
Em contrapartida, para a maioria das pessoas, uma alimentação equilibrada, rica em proteínas naturais, costuma ser suficiente para favorecer a recuperação muscular e alcançar bons resultados.
Redatora freelance para o portal Surgiu, com atuação em produção, edição e gestão de conteúdo. Possui domínio de ferramentas de criação, revisão e publicação de textos, com foco em qualidade, clareza e engajamento.