Cota da China pode reduzir preço da carne bovina no Brasil; entenda o impacto

A cota da China para carne bovina começou a impactar o setor pecuário brasileiro. Com o limite de exportação praticamente preenchido, frigoríficos reduzem o ritmo de abates, avaliam férias coletivas e buscam novos mercados. Além disso, especialistas apontam que o excedente de carne pode aumentar a oferta no Brasil e contribuir para a queda dos preços ao consumidor nos próximos meses.
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A cota da China para carne bovina estabelece um limite de 1,1 milhão de toneladas com tarifa de 12%.
No entanto, após esse volume, entra em vigor uma sobretaxa de 55%, elevando a tributação total para 67%. Com isso, novas vendas tornam-se menos competitivas.
Segundo Theo Paul Santana, especialista em negócios Brasil-China e fundador do Destino China, a medida faz parte da política comercial chinesa.
“Não é a China fechando a porta. É a China controlando o ritmo em que ela abre.”
Frigoríficos reduzem produção e procuram novos mercados
Diante desse cenário, frigoríficos brasileiros já adotam medidas para ajustar a produção.
Além disso, algumas empresas reduziram o número de abates e analisam a possibilidade de conceder férias coletivas aos funcionários.
Ao mesmo tempo, o setor busca ampliar as exportações para mercados como Estados Unidos, Chile, México, Oriente Médio, Sudeste Asiático, Hong Kong, Rússia e Filipinas.
Mesmo assim, especialistas destacam que nenhum desses destinos consegue substituir a demanda chinesa no curto prazo.
A Frigol informou que, apesar da expansão internacional, o redirecionamento da produção não absorve todo o volume anteriormente destinado à China.
Preço da carne pode cair no mercado brasileiro
A redução das exportações pode aumentar a oferta de carne bovina no mercado interno.
Por isso, economistas avaliam que os preços ao consumidor tendem a recuar nas próximas semanas.
Segundo Carlos Thadeu, economista de inflação e commodities da BGC Liquidez, a queda poderá refletir nos índices de inflação de julho e agosto.
Entretanto, fatores climáticos, como a possibilidade de um El Niño mais intenso, ainda podem elevar os custos da produção agropecuária e reduzir parte desse efeito.
União Europeia também impõe exigências ao setor
Enquanto isso, o setor acompanha negociações com a União Europeia.
Diferentemente da China, o bloco europeu exige maior controle sanitário, rastreabilidade dos animais e documentação específica sobre o uso de antimicrobianos.
No primeiro semestre, o Brasil exportou 51,2 mil toneladas de carne bovina para a União Europeia, com receita de US$ 452,3 milhões.
Segundo o Ministério da Agricultura, as negociações continuam para adequar as exigências e manter o acesso ao mercado europeu.
