Estudo aponta possível benefício da tadalafila para o coração, mas especialistas fazem alerta

Um estudo publicado na revista científica Clinical Cardiology apontou uma associação entre o uso da tadalafila em homens com disfunção erétil e menores taxas de mortalidade e eventos cardiovasculares graves. Apesar dos resultados considerados promissores, especialistas alertam que a pesquisa não comprova relação de causa e efeito e reforçam que o medicamento possui contraindicações importantes.
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O estudo sobre tadalafila analisou homens com disfunção erétil e identificou uma associação entre o uso do medicamento e a redução das taxas de mortalidade e de eventos cardiovasculares graves.
Além disso, a pesquisa foi publicada na revista científica Clinical Cardiology, referência na área da cardiologia.
A tadalafila atua como um vasodilatador e aumenta o fluxo sanguíneo para determinadas regiões do corpo. Atualmente, médicos indicam o remédio principalmente para tratar a disfunção erétil.
Especialista diz que pesquisa ainda não comprova benefício
No entanto, o cardiologista Alan Max afirma que os resultados precisam de interpretação cuidadosa.
Segundo o médico, o estudo é observacional, ou seja, analisa dados do mundo real sem comparar grupos em um ensaio clínico randomizado.
“Esse é um estudo observacional (de mundo real), não um estudo randomizado. O estudo randomizado tem valor científico muito maior”, explicou.
Além disso, o especialista destacou que a tadalafila aumenta a produção de óxido nítrico nas artérias. Em teoria, esse mecanismo pode proteger o endotélio, camada que reveste os vasos sanguíneos.
Mesmo assim, ele ressalta que o trabalho apenas sugere uma possível relação e não comprova que o medicamento protege o coração.
Medicamento possui contraindicações importantes
Por outro lado, Alan Max lembra que a tadalafila não é indicada para todos os pacientes.
Segundo ele, pessoas que sofreram infarto nos últimos 90 dias não devem utilizar o medicamento.
Além disso, pacientes com angina instável, insuficiência cardíaca ou pressão arterial muito baixa também precisam evitar o uso.
O cardiologista alerta ainda que a tadalafila não pode ser combinada com medicamentos à base de nitratos ou com alguns bloqueadores alfa utilizados no tratamento da próstata.
Nesses casos, a combinação pode provocar uma queda acentuada da pressão arterial.
Uso deve ocorrer com orientação médica
Por fim, especialistas reforçam que a tadalafila continua sendo um medicamento de prescrição.
Portanto, qualquer tratamento deve ocorrer com acompanhamento médico, especialmente em pacientes com histórico de doenças cardiovasculares ou que utilizam outros medicamentos de uso contínuo.
