Mulher presa por se passar por adolescente em SC já teria fingido ter 13 anos em abrigo de MS

A mulher de 37 anos presa em Joinville, em Santa Catarina, por viver durante 14 meses como filha adotiva de uma família enquanto fingia ser adolescente já havia protagonizado um episódio parecido em Mato Grosso do Sul.
Em novembro de 2023, Amanda Maria Souza Oliveira se apresentou como uma menina de 13 anos e foi encaminhada para uma unidade de acolhimento infantil em Campo Grande. A identidade dela passou a ser questionada por funcionários do local.
O caso foi registrado pela Polícia Civil como falsa identidade. Segundo a investigação catarinense, Amanda se apresentava como “Gabriele”, conquistou a confiança de uma família e viveu por mais de um ano como filha adotiva do casal.
Mulher foi levada para abrigo
De acordo com boletim de ocorrência registrado em 3 de novembro de 2023, Amanda chegou à Unidade de Acolhimento Institucional para Crianças e Adolescentes, em Campo Grande, acompanhada por integrantes do Conselho Tutelar.
Na ocasião, ela se apresentou como Gabrielly dos Santos e afirmou ter 13 anos.
Conforme o registro policial, funcionários da unidade começaram a desconfiar da história após não encontrarem documentos que comprovassem a identidade informada.
Durante buscas na internet, servidores localizaram reportagens e vídeos sobre uma mulher identificada como Amanda Maria Souza Oliveira. A semelhança levantou suspeita de que se tratava da mesma pessoa.
A Polícia Militar foi acionada e encaminhou Amanda para a Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário Cepol.
Na delegacia, ela relatou que vivia em situação de rua, tinha problemas mentais e havia chegado a Campo Grande semanas antes. Também afirmou que procurou ajuda na Casa da Mulher Brasileira e que, após dizer ser menor de idade, foi encaminhada ao acolhimento institucional.
Segundo o boletim, ela não apresentou documentos pessoais.
Caso em SC revelou histórico
Amanda voltou a ser alvo da polícia nesta semana, após ser presa em Joinville. Segundo a Polícia Civil de Santa Catarina, ela se passou por uma adolescente de 12 anos, frequentou uma igreja da cidade e acabou acolhida por uma família.
Aos investigadores, ela afirmou ter fugido do Pará após sofrer maus-tratos. No entanto, a polícia descobriu que Amanda é natural do Ceará.
De acordo com o delegado Rodrigo Bueno Gusso, a suspeita criou uma forte ligação emocional com a família. Durante o período em que viveu com o casal, ela teria recebido cuidados e mantido uma rotina de adolescente.
Ainda segundo a investigação, Amanda alegava falsamente ter autismo e outras condições clínicas para justificar sua aparência adulta. Também dizia que os traços físicos eram consequência de situações vividas na infância.
A polícia informou que ela mantinha comportamentos infantilizados para sustentar a falsa identidade.
Desconfiança de familiar revelou caso
A fraude começou a ser desvendada depois que uma parente da família acolhedora desconfiou da história e decidiu pesquisar informações sobre Amanda na internet.
Segundo o delegado, a mulher encontrou registros de um caso semelhante ocorrido no Rio de Janeiro e alertou os familiares.
A partir daí, a polícia identificou ocorrências parecidas envolvendo Amanda em diferentes estados.
Conforme a Polícia Civil de Santa Catarina, Amanda também foi presa em 2023, em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, após aplicar golpes usando uma história falsa.
A polícia catarinense informou que encontrou registros relacionados à suspeita em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Goiás e Mato Grosso do Sul.
O que diz a defesa
Em nota, o advogado Rafael Luiz Siewert, defensor dativo de Amanda, informou que pediu a realização de exame de sanidade mental da investigada. O pedido foi aceito pela Justiça.
Leia a nota na íntegra:
“Fui nomeado defensor dativo da investigada, uma vez que a Defensoria Pública não atua perante o Juízo de Garantias da Comarca de Joinville. Após a análise dos autos e entrevista com a custodiada, a defesa identificou elementos que justificaram o pedido de realização de exame de sanidade mental. O requerimento foi acolhido pelo Juízo, que determinou a realização de perícia oficial para avaliação de sua condição psíquica. Neste momento, a investigada permanece à disposição da Justiça em razão da decisão que converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva e da necessidade de realização do exame pericial já determinado. A defesa aguarda a conclusão da perícia técnica, que poderá contribuir para o adequado esclarecimento das circunstâncias relacionadas ao caso e para a adoção das medidas processuais cabíveis. Por respeito ao andamento das investigações e aos direitos da investigada, não serão prestados comentários sobre o mérito dos fatos neste momento.
Rafael Luiz Siewert – OAB/SC 30.361
