BYD entra em lista de trabalho escravo após operação na Bahia
A montadora chinesa BYD entrou na chamada lista suja do trabalho análogo à escravidão após uma operação resgatar 163 trabalhadores chineses em uma obra da empresa em Camaçari, na Bahia.
O caso ganhou repercussão nacional e também provocou mudanças no Ministério do Trabalho. Além disso, o episódio terminou com a demissão do então secretário de Inspeção do Trabalho, Luiz Felipe Brandão de Mello.
A fiscalização ocorreu no canteiro de obras da futura fábrica da BYD na região metropolitana de Salvador. Segundo o relatório da operação, os trabalhadores viviam em alojamentos precários, enfrentavam jornadas exaustivas e tinham salários e passaportes retidos.
Além disso, os fiscais encontraram trabalhadores dormindo em estrados de madeira, cozinhas em condições insalubres, instalações improvisadas e grande acúmulo de lixo nos imóveis utilizados como alojamento.
Operação descobriu alojamentos não informados
A primeira visita das equipes ocorreu em novembro de 2024 após denúncias de maus-tratos contra funcionários da obra. No entanto, inicialmente, a força-tarefa encontrou dificuldades para localizar os trabalhadores.
Dias depois, o Ministério Público do Trabalho organizou nova operação com auditores fiscais, agentes da Polícia Federal, policiais rodoviários federais, defensores públicos e intérpretes de mandarim.
Durante a fiscalização, as equipes localizaram alojamentos que as empresas responsáveis pela obra não haviam informado. Nos imóveis, os agentes encontraram dezenas de trabalhadores em condições consideradas degradantes.
Segundo o relatório, os funcionários trabalhavam sete dias por semana e descansavam apenas em dias de chuva. Além disso, muitos relataram dificuldades para deixar o Brasil antes do fim dos contratos.
Parte dos trabalhadores também afirmou que recebia apenas uma fração do salário prometido ainda na China.
BYD deixou cadastro após decisão judicial
Após concluir o processo administrativo, o Ministério do Trabalho incluiu a BYD na atualização da lista suja do trabalho escravo em abril de 2026.
No entanto, a empresa conseguiu uma decisão liminar na Justiça e retirou o nome do cadastro apenas três dias depois.
O episódio repercutiu em Brasília e culminou na exoneração de Luiz Felipe Brandão de Mello do comando da Secretaria de Inspeção do Trabalho.
Além disso, a Associação Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho criticou a demissão e afirmou que houve interferência política em processos ligados ao combate ao trabalho análogo à escravidão.
Até o momento citado na reportagem da BBC, a BYD e o Ministério do Trabalho não haviam se manifestado oficialmente sobre as acusações.
O que é a lista suja do trabalho escravo?
A chamada lista suja reúne empregadores flagrados explorando trabalhadores em condições análogas à escravidão no Brasil.
O cadastro é atualizado periodicamente pelo governo federal e inclui empresas e pessoas físicas responsabilizadas após conclusão de processo administrativo.
