Novelas com frutas viralizam e acendem alerta sobre impacto no cérebro

As chamadas “novelas com frutas” se tornaram um fenômeno recente nas redes sociais, especialmente no TikTok e Instagram. Criadas com o uso de inteligência artificial, essas produções trazem personagens como bananas, morangos e abacates em histórias curtas, dramáticas e cheias de reviravoltas.
Embora o formato pareça leve e divertido, o crescimento acelerado desse tipo de conteúdo tem levantado debates. Nos últimos dias, a psicóloga Jéssica Mras chamou atenção ao classificar a tendência como um possível “experimento psicológico” informal.
Conteúdo curto e altamente envolvente
Segundo a especialista, o que prende o público não é necessariamente a história em si. Na prática, o formato dos vídeos — curtos, intensos e com finais em suspense — estimula o consumo contínuo.
De acordo com Jéssica, esse padrão ativa pequenas descargas de dopamina no cérebro, o que reforça o comportamento de assistir vários episódios seguidos. Como resultado, o hábito pode consumir mais tempo do que o usuário percebe.
“São episódios rápidos, com emoção exagerada e conflito constante. Além disso, sempre há um gancho para o próximo vídeo, o que incentiva o ‘só mais um’”, explica.
Especialista alerta para o chamado “brain rot”
Na avaliação da psicóloga, o consumo excessivo desse tipo de conteúdo pode contribuir para um fenômeno conhecido como brain rot, termo em inglês que pode ser traduzido como “deterioração mental”.
O conceito ganhou destaque recente ao ser escolhido como expressão do ano pelo Dicionário Oxford em 2024. No entanto, a ideia não é nova. Já no século XIX, o escritor Henry David Thoreau criticava padrões de consumo que limitavam a capacidade de reflexão.
Segundo a especialista, conteúdos simples e repetitivos exigem pouco esforço cognitivo. Por isso, o cérebro passa a operar de forma mais passiva, reagindo em vez de interpretar.
Impactos no comportamento e na atenção
Além disso, o consumo frequente de conteúdos curtos e superficiais pode afetar a forma como as pessoas lidam com experiências mais complexas. Em vez de buscar atividades que exigem atenção prolongada, o cérebro tende a priorizar estímulos rápidos.
“Você passa a buscar picos imediatos de emoção, em vez de sustentar experiências mais profundas”, alerta Jéssica.
Ela ressalta que assistir a esse tipo de conteúdo, de forma ocasional, não representa um problema. No entanto, o excesso pode prejudicar a concentração, a reflexão e até a forma como a pessoa se relaciona com a própria realidade.
Entre o entretenimento e o excesso
Apesar do sucesso nas redes sociais, especialistas recomendam equilíbrio. Afinal, o acesso ilimitado a conteúdos rápidos e altamente estimulantes pode levar a um consumo automático, sem percepção do tempo.
Dessa forma, manter hábitos digitais mais conscientes pode ser essencial para preservar a saúde mental e o foco no dia a dia.
