Estudo alerta para avanço de formigas-de-fogo no Brasil e riscos à saúde e biodiversidade

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) acendeu um alerta sobre a expansão das formigas-de-fogo no Brasil. De acordo com a pesquisa, essas espécies têm avançado silenciosamente pelo território nacional, o que representa riscos tanto para a saúde pública quanto para a biodiversidade.
Além disso, os cientistas identificaram que esse avanço está diretamente ligado ao processo de urbanização descontrolada, que favorece a adaptação e a dispersão desses insetos em áreas urbanas.
As análises se concentraram em duas espécies: a Solenopsis saevissima e a Solenopsis invicta. Ambas vêm ampliando sua presença no país ao longo das últimas décadas.

Espécies avançam por diferentes regiões
A Solenopsis saevissima, que é nativa de áreas florestais da Amazônia, ampliou significativamente sua distribuição. Atualmente, ela já pode ser encontrada em pelo menos 16 estados brasileiros. Entre eles, estão Rio Grande do Norte, Alagoas e Espírito Santo, onde registros ocorreram recentemente.
Por outro lado, a Solenopsis invicta, originalmente associada a áreas alagadas do Pantanal, também expandiu seu território. Hoje, a espécie já aparece em 11 estados. Inclusive, pesquisadores registraram sua presença recente no Rio de Janeiro, no Piauí e em Sergipe.
Essa espécie, em especial, preocupa ainda mais. Isso porque suas picadas são dolorosas e podem provocar bolhas, além de reações alérgicas intensas em humanos. Dessa forma, sua presença em centros urbanos amplia os riscos à saúde pública.

Pesquisa reúne dados de mais de um século
O estudo, publicado na revista científica Biological Invasions, contou com a participação de pesquisadores de diversas instituições. Entre elas, estão o Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, o Museu Paraense Emílio Goeldi, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Universität Hohenheim, na Alemanha.
Além disso, o projeto recebeu financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o que possibilitou coletas em regiões sem registros anteriores e análises laboratoriais mais detalhadas.
Segundo a pesquisadora Maria Santina de Castro Morini, o apoio foi essencial para ampliar o alcance do estudo. Dessa maneira, a equipe conseguiu confirmar a presença das espécies em novas localidades.

Urbanização impulsiona expansão
Para chegar às conclusões, os pesquisadores analisaram mais de quatro mil registros ao longo de um período de 124 anos, entre 1900 e 2024. Em seguida, os dados foram organizados por décadas, o que permitiu identificar padrões de dispersão.
De acordo com o pesquisador Victor Hideki Nagatani, fatores como urbanização e fragmentação de habitats naturais desempenham papel central nesse avanço. Ou seja, mudanças no uso do solo criam condições ideais para que essas formigas se espalhem.
Além disso, as espécies apresentam alta capacidade de adaptação e competem com espécies nativas. Consequentemente, isso provoca impactos negativos à biodiversidade e aumenta os riscos à saúde humana.
Alerta para monitoramento e preservação
Diante dos resultados, os pesquisadores reforçam a necessidade de monitoramento constante de espécies invasoras. Ao mesmo tempo, o estudo evidencia como as ações humanas influenciam diretamente os ecossistemas.
Por fim, os cientistas destacam que integrar dados históricos com tecnologias atuais contribui para o desenvolvimento de estratégias mais eficazes. Assim, será possível promover ambientes mais sustentáveis e reduzir os impactos causados por essas espécies invasoras.
