Justiça recebe denúncia contra filho de Popó por tentativa de manipulação de jogos
A Justiça do Paraná aceitou a denúncia do Ministério Público contra três acusados de integrar um esquema de aliciamento de jogadores para manipular partidas das três principais divisões do Campeonato Brasileiro. O caso é resultado da Operação Derby e tramita na 3ª Vara Criminal de Londrina.
Tornaram-se réus Igor Freitas, empresário e filho do ex-boxeador Acelino Freitas, o Popó; Rodrigo Rossi, apontado como sócio no esquema; e Raphael Ribeiro. Eles vão responder pelos crimes de associação criminosa e corrupção em âmbito esportivo, previstos no Código Penal e na Lei Geral do Esporte.
Caso sejam condenados, as penas podem variar de dois a seis anos de prisão, além de multa. O Ministério Público também solicitou que os acusados sejam condenados ao pagamento de R$ 150 mil por dano moral coletivo, como forma de reparação ao prejuízo causado à credibilidade das competições esportivas.

Com o recebimento da denúncia, o processo entra na fase de citação dos réus, apresentação de defesa, audiência de instrução, depoimento de testemunhas e, posteriormente, julgamento.
Segundo o Ministério Público, o grupo atuava de forma organizada para abordar jogadores profissionais oferecendo dinheiro em troca de ações específicas durante as partidas, como o recebimento proposital de cartões.
Entenda a investigação
A Operação Derby foi deflagrada em setembro de 2025, após denúncias feitas por jogadores do Londrina, que relataram ter sido procurados por Igor Freitas e Rodrigo Rossi com propostas financeiras para forçar cartões amarelos em um jogo da Série C do Campeonato Brasileiro.
As investigações apontam que os contatos eram feitos por redes sociais e aplicativos de mensagens. Inicialmente, Igor Freitas se apresentava como empresário com acesso ao mercado de apostas esportivas, repassando depois os contatos dos atletas para Rodrigo Rossi dar continuidade às negociações. Raphael Ribeiro, segundo a apuração, também participava das articulações.

O Ministério Público afirma ainda que houve tentativas de aliciamento de jogadores de clubes das Séries B e C, ampliando o alcance do esquema investigado.
Durante a operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em estados do Nordeste e do Sul do país, com apoio de forças de segurança locais.
A defesa de Igor Freitas nega as acusações e afirma que irá demonstrar a inocência do empresário ao longo do processo. As defesas de Rodrigo Rossi e Raphael Ribeiro não se manifestaram até o momento.
Veja a nota da defesa de Igor Freitas
NOTA À IMPRENSA
A defesa do senhor Igor Gutierrez Freitas vem a público manifestar-se a respeito das denúncias recentemente divulgadas no âmbito da denominada “Operação Derby”.
Desde já, a defesa rechaça de forma veemente as acusações apresentadas, por entendê-las levianas e desprovidas de lastro fático e probatório consistente. A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público de maneira precipitada, sem a devida cautela e sem a necessária sustentação em fatos concretos que justifiquem a imputação formulada contra o senhor Igor.
Ressalta-se que as alegações constantes na denúncia serão oportunamente esclarecidas no curso regular do processo, momento em que se demonstrará a inocência do investigado. A defesa confia que a análise técnica e imparcial dos elementos constantes dos autos evidenciará as fragilidades do procedimento, o qual, desde já, se entende marcado por vícios que comprometem sua regularidade e legitimidade.
Reafirma-se, ainda, o compromisso do senhor Igor Gutierrez Freitas com o pleno esclarecimento dos fatos e com o respeito às instituições, bem como a confiança no devido processo legal e no Poder Judiciário para o restabelecimento da verdade.
Por fim, a defesa informa que estará à disposição da imprensa e das autoridades competentes para prestar esclarecimentos adicionais amanhã, dia 06 de fevereiro de 2026, em horário e local a serem oportunamente divulgados.
Igor José Ogar
