Mãe de Leandro Lo lamenta absolvição de ex-tenente: “Enterrei meu filho pela segunda vez”
A mãe do multicampeão de jiu-jitsu Leandro Lo, Fátima Lo, manifestou forte indignação nas redes sociais, na tarde deste sábado (15), após o Tribunal do Júri absolver o ex-tenente da Polícia Militar Henrique Otavio Oliveira Velozo, acusado de matar o lutador.
O julgamento durou três dias, e o Conselho de Sentença acolheu a tese da defesa de que Velozo teria agido em legítima defesa. Com a decisão, a Secretaria de Segurança Pública confirmou que o ex-PM já deixou o presídio onde estava detido.

Visivelmente abalada, Fátima classificou o resultado como injusto e disse ter se sentido “humilhada” durante o julgamento.
“Ontem eu enterrei o Leandro pela segunda vez. Esse é o meu sentimento. O sentimento da gente, porque foi uma tristeza tão grande. A gente foi tão humilhado lá, tão massacrado pela defesa… aquele advogado e a bancada dele.
Eles o tempo todo provocavam a gente, humilhavam, né? E a gente não podia falar nada. Não podia se manifestar. Eu passei mal”, desabafou.
Ela também acusou a defesa de Henrique Otavio de apresentar versões falsas e manipular os fatos perante o júri. Segundo Fátima, o ex-tenente “mentiu muito” e teria sido orientado a sustentar uma narrativa construída especialmente para absolvê-lo.
“A gente tava lá pela justiça, em nome da justiça. E aí o réu pode mentir e a justiça deixa o réu mentir. Ele inventou a história dele lá, orientado pela defesa. Inventaram uma história, inventaram uns slides, slides falsos”, declarou.
Ao final, Fátima assegurou que a família continuará buscando responsabilização: “Quero agradecer muito os nossos advogados, que estão com a gente desde o começo e vão continuar, porque vamos recorrer”.
Posicionamento da defesa do ex-tenente
Em nota, o escritório Dalledone & Advogados Associados, responsável pela defesa do ex-policial, afirmou que conseguiu demonstrar ao júri que Velozo apenas reagiu para se proteger. A banca também destacou que depoimentos contraditórios de testemunhas contribuíram para o resultado.
“Nada encaixava com a dinâmica real dos fatos. E foi justamente isso que a defesa conseguiu expor ao longo do julgamento. Testemunha após testemunha, mostramos que o próprio conjunto probatório desmontava a versão inicial. A absolvição de hoje é o reconhecimento de que a verdade prevaleceu”, afirmou o advogado Renan Canto.
