“Ela só queria viver”: o que se sabe sobre jovem morta após dizer “não” a traficante em baile funk
Sther Barroso dos Santos, de 22 anos, foi brutalmente assassinada na madrugada de domingo (17), logo após sair de um baile funk na comunidade da Coreia, em Senador Camará, Zona Oeste do Rio. A jovem, que trabalhava como atendente em uma lanchonete e alimentava sonhos de mudar de vida, foi espancada até a morte após, segundo a família, recusar sair com um chefe do tráfico local.
O principal suspeito é Bruno da Silva Loureiro, conhecido como “Coronel”, apontado como líder do tráfico na comunidade do Muquiço, em Guadalupe, Zona Norte. A família de Sther afirma que o crime foi cometido a mando dele, após a jovem rejeitar suas investidas durante o baile. Dois homens teriam participado da agressão.

Sther foi deixada na porta de casa, na Vila Aliança, favela também situada em Bangu, já sem vida, com o corpo desfigurado e sinais de violência sexual. Um vídeo gravado momentos antes do crime mostra a jovem dançando no evento.
O laudo do Instituto Médico Legal aponta que Sther morreu em decorrência de hemorragia subaracnóidea, traumatismo cranioencefálico e politraumatismo. A certidão de óbito confirma essas causas, e a família reforça que ela também foi estuprada.
O enterro ocorreu na quarta-feira (20), sob forte comoção. A mãe da vítima, Carina Couto, relatou o sofrimento de perder a filha: “Tirou a minha filha de mim. Eu não vou aguentar, ela era linda e cheia de planos. Eu quero justiça, quero a minha filha”.
Sther havia se mudado recentemente para Vila Aliança com a mãe, justamente para fugir do traficante, com quem teve um breve relacionamento. No novo lar, ela começou a traçar metas para recomeçar: tirar a carteira de habilitação, fazer cursos, adotar um cachorro e ajudar a família a se reerguer após deixarem o Muquiço, também controlado pelo tráfico.
“Você não só acabou com a vida da minha irmã quanto da minha família. Olha a felicidade da minha irmã. Covarde desgraçado”, escreveu Stefany, irmã de Sther, nas redes sociais.
A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) conduz as investigações. Até o momento, o suspeito permanece foragido. A Polícia Civil informou que está realizando diligências para localizar os envolvidos no assassinato.
As autoridades ainda apuram detalhes como o local exato do crime, a motivação e o número de agressores.
