Estudo mostra que creatina como adjuvante pode reduzir sintomas na depressão maior
Um ensaio clínico randomizado e duplo-cego recentemente publicado (PMID: 39488067) indica que a suplementação com creatina monohidratada, associada a intervenções psicoterápicas, pode ser uma estratégia promissora e segura no manejo do transtorno depressivo maior.
O estudo avaliou participantes diagnosticados com transtorno depressivo maior que estavam sem uso de antidepressivos por pelo menos oito semanas. Durante oito semanas, o grupo intervenção recebeu 5 g/dia de creatina monohidratada combinada com Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) de baixa intensidade, enquanto o grupo controle recebeu TCC mais placebo.

Resultados principais
– Redução dos sintomas: os participantes que receberam creatina apresentaram uma diminuição média de 5,12 pontos maior no escore de gravidade da depressão em comparação ao grupo placebo, indicando uma melhora clinicamente relevante dos sintomas.
– Segurança: não foram relatados eventos adversos significativos relacionados à suplementação com creatina no período estudado.
– Impacto potencial: pela eficácia observada, baixo custo e ampla disponibilidade, a creatina surge como uma opção acessível e custo-efetiva como adjuvante às práticas clínicas convencionais.
Mecanismos biológicos sugeridos
Os autores e a literatura correlata descrevem mecanismos plausíveis que explicam o efeito observado:
– Energia cerebral (ATP): a creatina sustenta a produção de ATP via o sistema fosfocreatina, o que pode melhorar a bioenergética cerebral — um aspecto frequentemente comprometido na depressão.
– Déficit de creatina: níveis cerebrais reduzidos estão associados à bioenergética prejudicada e à desregulação do humor.
– Modulação neuroquímica e neuroprotetora: a creatina pode modular neurotransmissores como dopamina e serotonina, influenciar receptores NMDA, reduzir estresse oxidativo (direto e indiretamente) e aumentar BDNF, favorecendo resiliência cognitiva e emocional.
Considerações clínicas e limitações
Os achados são promissores, mas é fundamental destacar que a creatina foi testada como adjuvante da TCC, não como substituto do tratamento médico ou psicoterapêutico. A avaliação individual é imprescindível antes de iniciar suplementação — especialmente em pessoas com doença renal, gestantes, em uso de medicamentos concomitantes ou em populações pediátricas/adolescentes. Estudos adicionais com amostras maiores e maior tempo de seguimento ajudarão a consolidar segurança e eficácia a longo prazo, além de esclarecer subgrupos que mais se beneficiariam.
Este ensaio clínico fornece evidência inicial de que a creatina monohidratada, na dose de 5 g/dia, pode reduzir de forma relevante os sintomas do transtorno depressivo maior quando utilizada como adjuvante à terapia psicológica, com bom perfil de segurança no curto prazo. A suplementação representa uma alternativa acessível que merece atenção clínica e aprofundamento por pesquisas futuras, sempre acompanhada de avaliação e supervisão profissional.
