Calor do Tocantins pode colocar seus rins em risco; médico explica os cuidados essenciais
Calor intenso no Tocantins exige atenção redobrada com os rins, alerta nefrologista
O calor intenso, o clima seco e a temporada de praias de rio exigem cuidados especiais com a saúde, principalmente dos rins. No Tocantins, onde as altas temperaturas fazem parte da rotina durante julho, o risco de desidratação e de complicações renais aumenta, especialmente entre pessoas com doença renal crônica, hipertensão, diabetes e obesidade.
O alerta é do médico nefrologista Winglerson dos Santos Cordeiro (CRM-TO 3506 | RQE 3528), que atua na Fundação Pró-Rim no Tocantins. Segundo ele, o calor vai muito além do desconforto e pode agravar problemas de saúde já existentes.
Doença renal pode evoluir sem apresentar sintomas
A doença renal crônica figura entre os principais desafios da saúde pública mundial. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente uma em cada dez pessoas convive com algum grau da doença.
No Brasil, dados do Ministério da Saúde apontam prevalência em torno de 6,7% entre adultos quando considerados exames laboratoriais. Entre idosos, esse percentual é ainda maior.
Por isso, muitas pessoas desenvolvem alterações nos rins sem perceber. Hipertensão, diabetes, obesidade, tabagismo e histórico familiar aparecem entre os principais fatores de risco.
Calor aumenta os desafios para pacientes em hemodiálise
De acordo com o nefrologista, o clima quente do Tocantins representa um desafio ainda maior para pacientes que fazem hemodiálise.
“O clima quente do Tocantins é um grande desafio para nossos pacientes renais crônicos, principalmente os pacientes dialíticos. O calor aumenta muito a sensação de sede, justamente em pessoas que precisam restringir a ingestão de líquidos”, explica.
Segundo o especialista, beber água acima da quantidade recomendada pode provocar complicações graves.
“O principal desafio é controlar a quantidade de líquidos. O excesso pode causar edema agudo de pulmão, crise hipertensiva, aumentar o risco cardiovascular e provocar outras complicações.”
Praias de rio exigem planejamento e moderação
Durante a temporada de praias, muitas pessoas permanecem várias horas sob o sol. Além disso, o consumo de bebidas e alimentos costuma aumentar.
Por esse motivo, pacientes renais devem seguir rigorosamente as orientações médicas.
Entre as estratégias para aliviar a sede sem ultrapassar o limite diário de líquidos estão:
consumir pequenas pedras de gelo;
mascar chicletes sem açúcar;
permanecer em locais climatizados sempre que possível;
utilizar garrafas com volume previamente medido.
Além disso, o médico destaca que o calor, por si só, não aumenta a produção de toxinas. No entanto, a desidratação e o descumprimento da dieta podem favorecer complicações importantes.
Frutas e água de coco exigem atenção
Embora frutas e água de coco sejam muito consumidas durante o verão, pacientes em hemodiálise precisam ter cautela.
Segundo o especialista, alimentos como melancia, melão, abacaxi, laranja e água de coco possuem grande quantidade de líquidos e potássio.
“O excesso de potássio pode provocar complicações muito graves, inclusive levar ao óbito”, alerta.
Por isso, ele recomenda priorizar frutas com menor teor de potássio e líquidos, como maçã e morango, sempre conforme orientação do nutricionista.
Excesso de sal aumenta ainda mais a sede
Outro cuidado importante envolve o consumo de sódio.
Segundo Winglerson dos Santos Cordeiro, alimentos muito salgados aumentam a sede e favorecem a retenção de líquidos.
Entre os principais exemplos estão:
- carne de sol;
- carne seca;
- farofas;
- temperos industrializados.
Além disso, o consumo excessivo de proteínas e carboidratos pode elevar os níveis de fósforo no organismo, favorecendo complicações ósseas e hematológicas ao longo do tempo.
Sintomas que exigem atendimento imediato
O nefrologista orienta que pacientes procurem assistência médica imediatamente caso apresentem:
- falta de ar;
- inchaço no corpo;
- ganho rápido de peso;
- câimbras;
- fraqueza intensa;
- confusão mental;
- pressão baixa.
Segundo ele, esses sintomas podem indicar sobrecarga de líquidos ou alterações importantes nos níveis de potássio e fósforo.
Transplantados também precisam redobrar os cuidados
Pacientes transplantados renais também devem evitar exposição prolongada ao sol.
De acordo com o especialista, o uso contínuo de medicamentos imunossupressores aumenta significativamente o risco de câncer de pele.
Por isso, a recomendação inclui:
- uso diário de protetor solar;
- hidratação da pele;
- evitar exposição aos raios solares nos horários mais quentes;
- seguir rigorosamente a quantidade de líquidos indicada pelo médico;
- manter todas as restrições alimentares.
É possível aproveitar a temporada de praia com segurança
Apesar dos cuidados necessários, o nefrologista afirma que pacientes renais podem aproveitar a temporada de praias de forma segura.
Para isso, basta manter o tratamento, respeitar a dieta e evitar bebidas alcoólicas.
“Em nenhuma hipótese, ingira bebidas alcoólicas para se refrescar ou ficar alegre”, reforça o médico.
Ele conclui lembrando que qualquer alteração diferente no organismo deve motivar a procura imediata por atendimento médico.
