TDAH em adultos: diagnóstico tardio ainda desafia milhares de pessoas

O Dia Mundial de Conscientização do TDAH destaca a importância de reconhecer os sinais do transtorno, especialmente em adultos que passaram anos sem diagnóstico. Especialistas explicam como a condição se manifesta em diferentes fases da vida e reforçam a importância do acompanhamento adequado.
Receber o diagnóstico de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) apenas na vida adulta tornou-se uma realidade para muitas pessoas. Durante anos, alguns indivíduos convivem com dificuldades relacionadas à atenção, organização e impulsividade sem compreender que esses sinais podem estar ligados a uma condição de saúde.
Neste 13 de julho, Dia Mundial de Conscientização do TDAH, especialistas reforçam a necessidade de ampliar o conhecimento sobre o transtorno. Além disso, destacam a importância de combater informações equivocadas que ainda dificultam o diagnóstico e o acesso ao tratamento.
“O maior desafio ainda é combater os mitos. Enquanto muitas pessoas enxergam apenas desorganização ou falta de interesse, existe um transtorno que pode ser identificado e tratado”, explica a neurologista da Rede Medical, Aline Boaventura.
Segundo a especialista, quanto mais cedo o TDAH é reconhecido, maiores são as possibilidades de reduzir impactos e oferecer ferramentas para que o paciente desenvolva seu potencial.
Sintomas mudam conforme a fase da vida
Embora os primeiros sinais geralmente apareçam na infância, o TDAH pode se manifestar de maneiras diferentes ao longo dos anos.
Nas crianças, os sintomas mais comuns incluem dificuldade para manter a atenção, inquietação, impulsividade e distração frequente. Além disso, comportamentos relacionados à hiperatividade costumam ser mais evidentes nessa fase.
Na adolescência, a agitação pode diminuir. Por outro lado, problemas como desorganização, procrastinação e dificuldade para planejar atividades passam a ganhar mais destaque.
Já nos adultos, os sinais aparecem principalmente na rotina. Entre eles, estão esquecimentos frequentes, dificuldade para administrar o tempo, manter o foco em tarefas longas e organizar compromissos.
No caso das mulheres, o quadro frequentemente apresenta maior predominância de sintomas relacionados à desatenção. Por isso, muitas recebem o diagnóstico somente anos depois.
“É muito comum receber adultos que passaram anos acreditando que eram apenas desorganizados ou distraídos. Muitos só descobrem que convivem com o transtorno depois que as dificuldades começam a afetar o trabalho, os relacionamentos ou a autoestima”, afirma Aline Boaventura.
Diagnóstico precoce ajuda a reduzir impactos
Identificar o transtorno de forma antecipada pode diminuir prejuízos no desenvolvimento, na aprendizagem, na vida profissional e nos relacionamentos.
Além disso, o acompanhamento adequado contribui para reduzir impactos relacionados à saúde mental, como ansiedade, depressão, baixa autoestima e alterações no sono.
A neurologista destaca, entretanto, que o diagnóstico não deve considerar apenas sintomas isolados. Isso porque dificuldades de atenção e concentração também podem aparecer em outras condições de saúde.
“Esses sintomas podem estar relacionados à ansiedade, depressão, estresse, privação de sono e outras doenças neurológicas ou psiquiátricas. Por isso, o diagnóstico exige uma avaliação clínica criteriosa, considerando o histórico do paciente e os prejuízos observados em diferentes ambientes”, explica.
Tratamento é individualizado
Após a confirmação do diagnóstico, o tratamento considera as necessidades de cada pessoa. Dessa forma, o acompanhamento pode envolver psicoterapia, estratégias para organização da rotina e uso de medicamentos quando houver indicação médica.
Além disso, mudanças de hábitos e ferramentas de planejamento podem auxiliar no controle dos sintomas e na melhoria da qualidade de vida.
Com acompanhamento adequado, pessoas com TDAH podem desenvolver suas habilidades, estudar, trabalhar e manter relacionamentos saudáveis.
Por fim, especialistas reforçam que ampliar a informação sobre o transtorno é uma das principais formas de reduzir preconceitos e incentivar que mais pessoas busquem avaliação profissional.
