Maior conscientização amplia diagnósticos, enquanto falta de tratamento ainda desafia famílias no Brasil e no mundo
Os transtornos mentais entre crianças e adolescentes ganharam mais visibilidade nos últimos anos. Dados de pesquisas internacionais e nacionais mostram um aumento nos diagnósticos e nos atendimentos relacionados à saúde mental. No entanto, especialistas afirmam que esse cenário não significa, necessariamente, que mais jovens estejam adoecendo.
Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos apontou que as consultas pediátricas com diagnóstico de transtornos mentais cresceram mais de 70% entre 2014 e 2023. Além disso, a ansiedade registrou um dos maiores avanços e se tornou o segundo transtorno mais comum entre crianças, atrás apenas do TDAH.
O cenário brasileiro acompanha essa tendência. Estimativas indicam que cerca de 20% dos jovens entre 10 e 19 anos convivem com algum transtorno mental.
Enquanto isso, dados do Sistema Único de Saúde (SUS) mostram que os atendimentos relacionados à saúde mental de crianças cresceram quase 50% na cidade de São Paulo entre 2023 e 2025.
Segundo especialistas, o aumento dos diagnósticos ocorre principalmente porque médicos, escolas e famílias identificam os sinais com mais rapidez. Dessa forma, mais crianças recebem encaminhamento para avaliação especializada.
Falta de atendimento ainda preocupa
Apesar do avanço na identificação dos casos, muitos pacientes continuam sem acompanhamento adequado.
Nos Estados Unidos, o Centers for Disease Control and Prevention (CDC) estima que quase metade das crianças com transtornos mentais não recebe tratamento. Entre os principais obstáculos aparecem o alto custo dos serviços, a escassez de profissionais especializados e a dificuldade de acesso às consultas.
No Brasil, a realidade também preocupa. Em muitas regiões, famílias enfrentam filas de espera e pouca oferta de psicólogos e psiquiatras especializados no atendimento infantil.
Diagnóstico precoce faz diferença
Especialistas destacam que a terapia representa uma das principais formas de tratamento para diversos transtornos mentais na infância e na adolescência. Além disso, o diagnóstico precoce pode reduzir impactos no desenvolvimento escolar, emocional e social.
Por isso, médicos recomendam que pais e responsáveis procurem orientação profissional sempre que perceberem mudanças persistentes no comportamento, no humor ou no desempenho da criança.
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