Exposição de crianças e adolescentes na mídia pode afetar saúde mental até a vida adulta, alerta psicóloga

Especialista explica que a exposição precoce na televisão e nas redes sociais pode comprometer o desenvolvimento emocional, a autoestima e a construção da identidade de crianças e adolescentes.
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A exposição de crianças e adolescentes na mídia e nas redes sociais pode provocar impactos que ultrapassam a infância e chegam à vida adulta. Na semana em que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) completa mais um aniversário, especialistas reforçam a importância de proteger a privacidade dos menores e alertam para os efeitos da superexposição no desenvolvimento emocional.
Antes mesmo da popularização da internet, crianças já apareciam em programas de televisão, novelas, comerciais e concursos. Atualmente, esse cenário ganhou uma nova dimensão. Além disso, perfis familiares, influenciadores mirins e conteúdos compartilhados diariamente ampliaram a presença dos menores no ambiente digital.
Segundo a psicóloga clínica Soraya Oliveira, do Órion Complex, em Goiânia, a exposição constante pode gerar consequências importantes. “A exposição precoce pode causar ansiedade, insegurança, necessidade constante de aprovação, medo de críticas e perda da privacidade. Além disso, aumenta o risco de cyberbullying e pode comprometer o desenvolvimento emocional”, afirma.
Casos conhecidos ampliam o debate
Histórias de artistas que iniciaram a carreira ainda na infância ajudam a discutir os impactos da exposição precoce. Um dos exemplos mais conhecidos é o da atriz norte-americana Jennette McCurdy, que interpretou Sam Puckett nas séries iCarly e Sam & Cat. Em seu livro de memórias, ela relata episódios de pressão familiar, dificuldades emocionais e transtornos alimentares durante a carreira.
Da mesma forma, a atriz brasileira Larissa Manoela também trouxe o tema ao debate nacional ao revelar conflitos relacionados à administração de sua carreira e de seu patrimônio. Embora cada situação tenha características próprias, ambos os casos contribuíram para ampliar a discussão sobre autonomia, proteção e direitos de crianças e adolescentes que trabalham no meio artístico.
Entretanto, a preocupação não envolve apenas crianças famosas. Muitos menores anônimos também têm fotos, vídeos, momentos íntimos e situações constrangedoras publicados nas redes sociais por familiares. Como consequência, esse conteúdo pode permanecer disponível por muitos anos e afetar relacionamentos, autoestima e até oportunidades futuras.
Uso da internet começa cada vez mais cedo

Dados da pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025 mostram que 92% dos brasileiros entre 9 e 17 anos utilizam a internet. Além disso, 28% afirmaram ter acessado a rede pela primeira vez antes dos 6 anos de idade.
Para Soraya Oliveira, esse cenário exige ainda mais responsabilidade por parte dos adultos. Segundo ela, o desafio não está apenas no tempo de tela, mas também na forma como a imagem da criança é compartilhada.
“Quando a criança cresce buscando validação por curtidas e comentários, pode desenvolver uma autoestima frágil e dificuldades para construir sua própria identidade. Na vida adulta, isso pode resultar em insegurança, dependência da aprovação dos outros e dificuldades nos relacionamentos”, explica.
Sinais merecem atenção

De acordo com a especialista, alguns comportamentos podem indicar que a exposição digital está prejudicando o bem-estar emocional.
Entre eles estão:
mudanças frequentes de humor;
ansiedade e tristeza;
isolamento social;
preocupação excessiva com aparência, seguidores e curtidas;
irritação quando não consegue acessar as redes sociais.
Além disso, Soraya destaca que a prevenção começa dentro de casa. Ela recomenda diálogo, acompanhamento dos responsáveis e respeito aos limites da criança.
“Nem tudo o que é vivido em família precisa ser publicado. Algumas das memórias mais importantes permanecem protegidas no coração. O vínculo afetivo vale muito mais do que qualquer postagem. A proteção da infância começa nas pequenas escolhas que fazemos todos os dias, inclusive nas redes sociais”, conclui.
