Laudo confirma que jovem foi executado por PM em Paraisópolis enquanto estava rendido
Um laudo anexado ao inquérito confirmou que o policial militar R.T.C. foi o responsável pelos disparos que mataram Igor Oliveira de Moraes Santos da Cruz, de 18 anos, durante uma operação da Polícia Militar em Paraisópolis, zona sul de São Paulo, no dia 10 de julho.
As imagens das câmeras corporais mostram que Igor estava rendido, com as mãos sobre a cabeça, no momento em que foi baleado. Além de R.T.C., outros três PMs foram indiciados: R.N., que também efetuou disparos com uma espingarda, H.L.O.R. e V.H.J., cujos depoimentos foram considerados contraditórios em relação aos vídeos gravados.
Todos os quatro permanecem presos no Presídio Militar Romão Gomes, aguardando o andamento do processo.
Segundo a Polícia Militar, Igor não possuía antecedentes criminais, mas tinha um registro de ato infracional cometido na adolescência.
Ainda durante a mesma operação, outro homem foi morto: Bruno Leite, de 29 anos, que tinha passagens por tráfico de drogas e roubo. De acordo com a PM, ele morreu em uma troca de tiros com os policiais.
A operação em Paraisópolis
A comunidade de Paraisópolis foi tomada pelo caos após a ação da PM no dia 10 de julho. Com duas mortes confirmadas e quatro pessoas presas, a população local reagiu com protestos violentos.
Moradores fecharam vias, incendiaram objetos, depredaram veículos e lançaram fogos de artifício. O trânsito na região ficou completamente paralisado.
As câmeras corporais registraram o momento em que os policiais entram em uma residência. Igor é visto escondido atrás de uma cama, com as mãos para o alto. Um dos PMs dispara duas vezes, atingindo a parede. Em seguida, ordena que Igor se levante. Com uma das mãos ainda no ar, o jovem é atingido por novos disparos feitos por dois policiais e cai no chão.
