Economia brasileira nunca mais será a mesma de acordo com o Banco Inter
A adoção de blockchain no setor financeiro deixou de ser apenas tendência para se tornar realidade estratégica. Mesmo com mudanças no Drex — projeto do Banco Central para o real digital — que reduziram o peso da tecnologia em sua arquitetura, especialistas afirmam que o blockchain seguirá como peça-chave na transformação dos bancos.
Para o Banco Inter, a tokenização é um “caminho sem volta” tanto para instituições quanto para investidores. A afirmação foi feita por Bruno Grossi, head de Digital Assets e Emerging Technologies, e João Aragão, consultor de tecnologia do Inter, em entrevista à Exame.
O que está em jogo com o blockchain nos bancos
O blockchain funciona como uma rede descentralizada para registrar transações de forma segura. Essa característica atende a demandas essenciais do setor bancário, como confiança, rastreabilidade e eficiência.
Segundo Grossi, o mercado financeiro já está em plena transformação, e o blockchain tem papel central nesse processo. A chegada de projetos de tokenização acelera essa mudança, abrindo espaço para novas soluções digitais.
Blockchain e DeFi
As finanças descentralizadas (DeFi) demonstram o potencial da tecnologia na criação de produtos sofisticados. No entanto, ainda são pouco acessíveis ao público em geral. A expectativa é que bancos, como o Banco Inter, tragam essas soluções para o dia a dia, tornando-as disponíveis a um público mais amplo.
O papel do Drex na expansão do blockchain
Mesmo com ajustes recentes, o projeto Drex foi considerado um catalisador para a tokenização no Brasil. Para o Banco Inter, a iniciativa aproximou as instituições financeiras dos ativos digitais, ampliando a compreensão e estimulando experimentos regulados.
Segundo Grossi, o Drex trouxe a tokenização para o centro da discussão, incentivando inovações internas nos bancos.
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Foto: Jeane de Oliveira
Tokenização: o futuro dos ativos digitais
A tokenização consiste em registrar ativos — como imóveis, títulos, commodities ou créditos de carbono — em blockchain, transformando-os em representações digitais negociáveis.
Para os bancos, os benefícios são claros:
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Liquidez: ativos podem ser fracionados e negociados com mais facilidade;
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Segurança: o registro imutável reduz fraudes;
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Transparência: auditorias tornam-se mais acessíveis;
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Eficiência: processos complexos podem ser simplificados.
Áreas em que o Banco Inter já testa tokenização
O Banco Inter já aplica a tecnologia em frentes variadas:
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ESG: créditos de carbono e biocombustíveis;
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Recebíveis e duplicatas: antecipação em blockchain;
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Commodities: tokenização de soja para trade finance;
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Títulos públicos: pools de liquidez com ativos tokenizados.
No piloto do Drex, o Inter participou de testes envolvendo pools de liquidez de títulos públicos, tokenização de recebíveis de cartão de crédito e operações de comércio exterior com commodities.
Perspectivas para o setor bancário
Para Grossi, cada instituição tem sua visão sobre blockchain, mas o Banco Inter considera o movimento irreversível. Assim como foi pioneiro na digitalização de contas e uso da nuvem, o banco aposta agora nos ativos digitais como novo vetor de transformação.
Aragão destaca que ainda existe resistência no mercado, muitas vezes por confusão entre blockchain e criptomoedas. Mesmo assim, os maiores bancos do país já estão se movimentando nesse sentido.
Novos desafios: privacidade e segurança
Entre os principais desafios, estão a proteção de dados e a preparação para novas tecnologias. Mesmo blockchains privadas exigem mecanismos para controlar acessos. Além disso, a chegada da computação quântica exige estudos sobre criptografia pós-quântica, garantindo segurança a longo prazo.
Tokenização além das finanças
O blockchain não se limita ao setor financeiro. Ele pode impactar áreas como:
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ESG e sustentabilidade: rastreamento de créditos de carbono;
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Biocombustíveis e commodities: negociação mais eficiente em plataformas digitais;
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Crédito e varejo: maior eficiência em recebíveis e concessão de crédito.
A adoção de blockchain pelos bancos brasileiros está apenas no início, mas já se mostra inevitável. Mesmo com ajustes no Drex, a tokenização continuará avançando em títulos públicos, commodities e projetos de sustentabilidade.
Com o Banco Central atuando como catalisador e o Banco Inter liderando testes e inovações, a expectativa é que a tecnologia se torne parte da infraestrutura financeira do país. O desafio será equilibrar inovação, privacidade e segurança em um cenário de transformação contínua.
