EUA dizem ter meios para retomar guerra contra o Irã se acordo não avançar

Os Estados Unidos afirmaram que têm capacidade para retomar ações militares contra o Irã, caso as negociações por um acordo não avancem. A declaração ocorre em meio às tratativas indiretas entre Washington e Teerã para tentar encerrar a guerra e ampliar o cessar-fogo.
O governo americano insiste que qualquer acordo precisa respeitar as “linhas vermelhas” definidas pelo presidente Donald Trump. A principal exigência é que o Irã não tenha acesso a armas nucleares.
Na sexta-feira (29), Trump voltou a afirmar que Teerã deve aceitar que nunca terá armas nucleares. Ele também cobrou a destruição dos estoques de urânio altamente enriquecido do país.
Negociações seguem travadas
As conversas entre Estados Unidos e Irã ocorrem há semanas por meio de mediadores. Fontes em Washington mencionaram uma possível estrutura de acordo com prorrogação de 60 dias do cessar-fogo, mas ainda não há definição.
Teerã afirma que as trocas de mensagens continuam, mas evita confirmar qualquer entendimento final. O governo iraniano também defende que o tema nuclear seja tratado após a assinatura de um protocolo inicial.
Outro ponto sensível envolve os ativos iranianos congelados pelos Estados Unidos. Segundo a imprensa estatal iraniana, um esboço não oficial incluiria a liberação de US$ 12 bilhões em recursos bloqueados.
Estreito de Ormuz vira ponto central
O Estreito de Ormuz também está no centro das negociações. A rota é fundamental para o transporte global de petróleo e permanece sob tensão desde o início da guerra.
Trump afirmou que a passagem deve ser aberta imediatamente. Além disso, Washington cobra que o Irã assuma compromisso com a desminagem da região.
Autoridades iranianas, por outro lado, defendem que a gestão do estreito envolve apenas Irã e Omã, por estar em águas territoriais desses países.
Pentágono eleva tom contra Teerã
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que o país é “mais do que capaz” de retomar as hostilidades contra o Irã, se isso for necessário. A declaração foi feita durante um fórum em Singapura.
Segundo Hegseth, os Estados Unidos possuem reservas suficientes de munição de precisão e outros armamentos. A fala aumentou a pressão sobre as negociações diplomáticas.
Apesar do tom duro, autoridades americanas ainda tratam o acordo como uma possibilidade. O avanço, porém, depende de concessões em temas considerados sensíveis pelos dois lados.
Frente no Líbano aumenta tensão
A crise também envolve o Líbano. Israel voltou a intensificar ataques contra áreas do sul do país, apesar de um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos estar formalmente em vigor.
O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, acusou Israel de promover uma escalada perigosa. Já Israel afirma que suas ações têm como alvo estruturas do Hezbollah.
Autoridades militares de Israel e do Líbano participaram de conversas em Washington. A expectativa é que novas negociações ocorram nos dias 2 e 3 de junho para discutir um acordo de segurança.
Guerra pressiona economia global
A guerra também afeta a economia mundial. A tensão sobre o Estreito de Ormuz e os ataques no Líbano elevaram a preocupação com o fornecimento de petróleo.
Organismos internacionais alertaram para riscos de pressão sobre os preços da energia. Com isso, o desfecho das negociações entre EUA e Irã passou a ser acompanhado de perto por governos e mercados.
Enquanto não há acordo, o cenário segue indefinido. Washington mantém pressão militar e diplomática, enquanto Teerã cobra garantias econômicas e políticas para avançar nas tratativas.
