Onde fica a Ilha das Cobras? Conheça a ilha brasileira tomada por milhares de serpentes
A Ilha da Queimada Grande, conhecida popularmente como Ilha das Cobras, é considerada um dos lugares mais impressionantes e perigosos do Brasil quando o assunto é vida selvagem. Localizada no litoral sul de São Paulo, a ilha abriga uma das maiores concentrações de serpentes do mundo e tem acesso restrito para proteger tanto os visitantes quanto a fauna existente no local.
Situada a cerca de 35 quilômetros da costa, entre os municípios de Itanhaém e Peruíbe, a ilha é coberta por Mata Atlântica preservada e não possui praias ou estrutura para visitação. O desembarque de turistas é proibido, e somente pesquisadores autorizados e equipes da Marinha podem acessar a área.

Espécie existe apenas na ilha
A principal moradora da Ilha da Queimada Grande é a jararaca-ilhoa (Bothrops insularis), uma serpente encontrada exclusivamente nesse território. Por ser uma espécie endêmica, ela não vive em nenhum outro lugar do planeta.
Além da jararaca-ilhoa, a ilha também abriga a dormideira (Dipsas mikanii), uma espécie de hábitos diferentes e sem a mesma importância médica da jararaca.
Segundo o Instituto Butantan, a população isolada ao longo de milhares de anos permitiu que a jararaca-ilhoa desenvolvesse características próprias, tornando-se um dos principais objetos de estudo da ciência brasileira.
Cerca de 15 mil serpentes vivem na ilha
Estimativas do Instituto Butantan apontam que a Ilha da Queimada Grande abriga aproximadamente 15 mil serpentes. O número faz do local uma das maiores concentrações de cobras do mundo.
Embora exista uma ilha na China com quantidade ainda maior de serpentes, a Queimada Grande é reconhecida por concentrar a maior população de uma única espécie em um mesmo ambiente, justamente a jararaca-ilhoa.
Essa característica desperta o interesse de pesquisadores de diversas áreas, que estudam desde o comportamento dos animais até a composição do veneno.

Veneno é alvo de pesquisas científicas
O veneno da jararaca-ilhoa é considerado extremamente potente e possui substâncias que vêm sendo estudadas por pesquisadores para o desenvolvimento de medicamentos e tratamentos.
Além da importância para a produção de soros antiofídicos, compostos presentes no veneno também despertam interesse em pesquisas relacionadas à circulação sanguínea e doenças cardiovasculares.
Por isso, a preservação da espécie é considerada estratégica para a ciência brasileira.
Área protegida por lei
Desde 1985, a Ilha da Queimada Grande é uma Unidade de Conservação Federal. A medida busca proteger o ecossistema e impedir a interferência humana em um ambiente extremamente sensível.
O acesso depende de autorização dos órgãos ambientais e da Marinha do Brasil, sendo permitido apenas para atividades de pesquisa, fiscalização e monitoramento.
A proibição também evita acidentes, já que a grande quantidade de serpentes representa risco para pessoas sem treinamento adequado.
O que acontece em caso de picada?
A jararaca é uma serpente peçonhenta e sua picada pode provocar dor intensa, inchaço, sangramentos e destruição dos tecidos ao redor do ferimento.
Em situações mais graves, também podem ocorrer insuficiência renal e outras complicações que exigem atendimento médico imediato.
Especialistas orientam que vítimas de acidentes com serpentes não devem tentar capturar o animal nem recorrer a métodos caseiros. O procedimento correto é procurar rapidamente uma unidade de saúde para receber o tratamento adequado.
Patrimônio natural brasileiro
Além da fama de “Ilha das Cobras”, a Queimada Grande representa um importante patrimônio ambiental do Brasil. O isolamento geográfico permitiu o desenvolvimento de espécies únicas e transformou o local em um verdadeiro laboratório natural para pesquisadores.
Por reunir biodiversidade, importância científica e rígidas regras de preservação, a ilha continua sendo um dos lugares mais fascinantes e misteriosos do litoral brasileiro.
