Terras agrícolas valorizam 113% e acendem alerta no agro

A valorização das terras agrícolas no Brasil tem atraído investidores e produtores interessados em ampliar negócios no campo. No entanto, especialistas alertam que o crescimento expressivo dos preços também exige mais atenção durante as negociações de imóveis rurais.
Dados da Scot Consultoria mostram que o valor médio do hectare passou de R$ 14.818,10 em 2019 para R$ 31.609,87 em 2024. O avanço representa uma valorização de 113% em apenas cinco anos e reforça a terra como um dos ativos mais estratégicos do agronegócio brasileiro.
Além disso, o aumento da procura por propriedades rurais ampliou a movimentação do mercado e elevou a competitividade entre compradores. Por outro lado, especialistas afirmam que muitos investidores ainda negligenciam etapas fundamentais antes de fechar negócio.
Crescimento do mercado amplia desafios
O cenário de valorização fortaleceu o interesse por áreas produtivas em diferentes regiões do país. Dessa forma, a compra de terras passou a integrar estratégias de expansão patrimonial e produtiva.
Entretanto, o crescimento da demanda não eliminou problemas históricos relacionados à regularização fundiária. Muitos imóveis continuam apresentando documentação incompleta, registros inconsistentes ou pendências judiciais que nem sempre aparecem de forma clara durante as negociações.
Por isso, compradores podem assumir responsabilidades e passivos que só surgem após a assinatura do contrato. Em alguns casos, essas situações geram prejuízos financeiros significativos e comprometem a utilização da propriedade.
Irregularidades podem comprometer investimentos
Os riscos não se limitam à documentação cartorial. Questões ambientais, disputas de posse e falhas nos registros também podem afetar diretamente o valor e a viabilidade do investimento.
Além disso, exigências como Cadastro Ambiental Rural (CAR), georreferenciamento e certificação junto ao Sistema de Gestão Fundiária (SIGEF) tornaram-se requisitos importantes para obtenção de crédito rural e acesso a determinadas linhas de financiamento.
Nesse sentido, propriedades que apresentam irregularidades enfrentam mais dificuldades para captar recursos e firmar contratos comerciais. Consequentemente, a falta de regularização pode reduzir a atratividade do imóvel no mercado.
Due diligence ganha importância no setor
Diante desse cenário, especialistas defendem a realização da chamada due diligence antes da compra de qualquer propriedade rural. O procedimento consiste em uma análise detalhada dos aspectos jurídicos, ambientais e documentais do imóvel.
Segundo Maurilio Pinheiro, especialista do escritório Pinheiro, Câmara e Dreyer, muitos compradores ainda avaliam apenas fatores ligados à produtividade e à localização da área.
“Muita gente analisa preço, localização e produtividade, mas não enxerga o passivo jurídico como parte do negócio. Quando isso aparece depois, o impacto financeiro costuma ser significativo e, em alguns casos, difícil de reverter”, afirmou.
Além disso, a análise prévia permite identificar riscos que poderiam comprometer a operação no futuro. Dessa maneira, o comprador toma decisões com mais segurança e reduz a possibilidade de prejuízos inesperados.
Mercado exige mais transparência
O avanço do agronegócio também elevou o nível de exigência de instituições financeiras, tradings e parceiros comerciais. Atualmente, esses agentes priorizam propriedades que apresentam regularidade jurídica e ambiental.
Por consequência, a transparência passou a ser um fator decisivo para a valorização dos ativos rurais. Segundo especialistas, a tendência é que esse movimento continue nos próximos anos.
“A terra valorizou, mas junto com isso veio uma necessidade maior de transparência e organização. Quem entra nesse mercado sem olhar para esses pontos pode acabar comprando um problema em vez de um patrimônio”, destacou Maurilio Pinheiro.
Com a valorização acelerada das terras agrícolas, o mercado rural segue aquecido. No entanto, especialistas reforçam que a segurança jurídica se tornou um requisito essencial para garantir investimentos sustentáveis e evitar prejuízos futuros.
