Doenças inflamatórias intestinais atingem 10 milhões de pessoas no mundo

O Dia Internacional da Doença Inflamatória Intestinal (19) acende um alerta global de saúde pública. Estimativas globais apontam que as Doenças Inflamatórias Intestinais (DII) afetam cerca de 10 milhões de pessoas em todo o mundo.
No contexto nacional, um robusto estudo epidemiológico populacional publicado no prestigiado periódico científico The Lancet Regional Health – Americas — baseado na análise de registros de mais de 212 mil pacientes do Sistema Único de Saúde (BUS) — comprovou que a prevalência de DII no Brasil cresceu em média 15% ao ano, alcançando a marca histórica de 100 casos para cada 100 mil habitantes.
Diante deste cenário, o Ânima Centro Hospitalar intensifica as ações da campanha Maio Roxo para disseminar informações seguras e combater o diagnóstico tardio.
Dados oficiais da Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn (ABCDII) revelam que o tempo médio para a identificação correta da condição no país costuma ultrapassar um ano, justamente porque os sintomas iniciais são frequentemente negligenciados ou confundidos com parasitoses, viroses e estresse cotidiano.
As duas principais manifestações do quadro possuem distinções anatômicas importantes que determinam o curso do tratamento.
Enquanto a Doença de Crohn é uma inflamação transmural (que atinge todas as camadas da parede intestinal) capaz de acometer qualquer ponto do trato digestivo, da boca ao ânus, de forma “salteada” — ou seja, afetando partes pontuais e deixando regiões intactas entre as inflamações —, a retocolite ulcerativa é uma inflamação restrita à mucosa (camada mais superficial) do cólon e do resto, apresentando-se de forma contínua e causando úlceras que provocam sangramentos frequentes.
Em entrevista ao Portal Surgiu, o gastroenterologista, cirurgião do aparelho digestivo e endoscopista do Ânima Centro Hospitalar, Dr. Sandro Andrade, ressaltou que saber diferenciar um desconforto passageiro de uma patologia crônica é o primeiro passo para o sucesso terapêutico.
“Aquele desconforto digestivo esporádico, aquela dor na barriga depois de comer algo pesado ou uma diarreia de dois ou três dias por uma virose são quadros autolimitados, em que o corpo vai se recuperar sozinho em pouco tempo.
Já as doenças inflamatórias intestinais são crônicas e recidivantes, o que significa que a inflamação persiste e os sintomas retornam. Para acender o sinal de alerta nesses pacientes, a gente busca os chamados ‘sinais vermelhos’ (red flags)”, explica o médico.
Os “Sinais Vermelhos” que Exigem Atenção
Segundo o Dr. Sandro Andrade, os principais marcadores de alerta que exigem uma investigação clínica imediata incluem:
Duração e persistência: Diarreia crônica e persistente que se estende por semanas e retorna continuamente;
Sangue ou muco nas fezes: Um dos sinais mais importantes para procurar um médico, sendo frequente na retocolite e na Doença de Crohn, não devendo ser atribuído cegamente a hemorroidas sem investigação competente;
Dor abdominal recorrente e noturna: Cólicas crônicas que diferem de intolerâncias alimentares comuns, pois podem acordar o paciente no meio da noite e vir acompanhadas de febre persistente;
Perda de peso inexplicável e fadiga extrema: Indício de um processo inflamatório consumptivo, muitas vezes associado à anemia provocada pelo sangramento crônico do intestino;
Manifestações extraintestinais: Sintomas fora do aparelho digestivo causados por anticorpos da inflamação sistêmica, como dores articulares (artrite/artralgia), inflamações oculares (uveíte) ou lesões cutâneas dolorosas (eritema nodoso ou pioderma gangrenoso);
Comprometimento perianal: O surgimento de fissuras recorrentes, abscessos ou fístulas (canais com secreção purulenta) na região anal.
