Após atuação do MPTO, Justiça impede interrogatório virtual de réus foragidos em Miracema
O promotor de Justiça Rodrigo de Souza apresentou o pedido após a Justiça autorizar, inicialmente, o interrogatório remoto dos acusados, mesmo com mandados de prisão em aberto há quase um ano.
Diante disso, o MPTO questionou a medida. Para o promotor, permitir o interrogatório nessas condições beneficiaria os acusados pela própria conduta de não se apresentarem à Justiça. Além disso, a autorização comprometeria a regularidade do processo e enfraqueceria a autoridade das decisões judiciais.

Ainda segundo o Ministério Público, a situação contraria princípios como a lealdade processual e a boa-fé, já que os réus evitaram cumprir determinação judicial anterior.
Justiça acolhe argumentos e muda entendimento
Ao reavaliar o caso, o Judiciário acolheu integralmente os argumentos do MPTO e mudou o entendimento anterior.
Com isso, o juiz determinou que os acusados não poderão participar da audiência por videoconferência enquanto permanecerem foragidos. A decisão reforça que o réu não pode descumprir uma ordem judicial e, ao mesmo tempo, escolher como participará do processo.
Entendimento segue tribunais superiores
O magistrado destacou que não existe direito automático à participação remota em audiências para réus foragidos.
Além disso, o posicionamento segue entendimento consolidado dos tribunais superiores. Nesses casos, a ausência do interrogatório não gera nulidade do processo, principalmente quando a defesa técnica atua regularmente nos autos.
Audiência será mantida
Mesmo sem a presença dos réus, a audiência de instrução e julgamento seguirá normalmente.
Assim, o Judiciário realizará os demais atos processuais, como a oitiva de vítimas e testemunhas. O processo continuará com nova data já definida para a conclusão da fase de instrução, incluindo depoimentos pendentes.
MPTO reforça importância da decisão
Para o Ministério Público, a decisão reforça que o processo penal não pode servir como estratégia para quem tenta se furtar à aplicação da lei.
Dessa forma, o caso reafirma a importância do cumprimento das decisões judiciais e da igualdade entre as partes no andamento do processo.
