“O crime é organizado. O Estado também precisa ser”: especialista alerta para avanço das facções
A frase “O crime é organizado. O Estado também precisa ser” marcou a aula magna da especialização em Estratégia de Combate à Criminalidade Organizada, realizada na noite desta quarta-feira (26), em Palmas.
O evento reuniu autoridades e marcou o início do curso promovido pela Escola Superior do Ministério Público do Tocantins. Na ocasião, o diretor de Operações Integradas e de Inteligência da Secretaria Nacional de Segurança Pública, Rodney da Silva, apresentou uma análise sobre o avanço das facções criminosas no Brasil.
Integração é essencial no combate ao crime
Durante a palestra, o especialista afirmou que o Estado precisa mudar a forma de atuação. Segundo ele, as instituições devem agir de forma coordenada e compartilhar informações com mais eficiência.
Além disso, Rodney destacou que o combate ao crime organizado depende diretamente da integração entre os órgãos. “Não existe enfrentamento eficiente sem integração. As facções não respeitam fronteiras e o Estado também não pode atuar de forma isolada”, afirmou.
Tecnologia fortalece investigações
Ao longo da exposição, o palestrante ressaltou o uso crescente da tecnologia nas investigações. Entre as ferramentas, ele citou reconhecimento facial, análise de big data, cruzamento de dados e inteligência de fontes abertas (OSINT).
Além disso, ele mencionou o uso de drones e sistemas de monitoramento aéreo. Nesse sentido, Rodney reforçou que o desafio atual mudou.
“O volume de dados hoje é gigantesco. O desafio deixou de ser coletar informações e passou a ser transformá-las em inteligência para a tomada de decisão”, explicou.
Desafios exigem atualização constante
Apesar dos avanços, o especialista alertou para os obstáculos enfrentados pelas forças de segurança. Entre eles, estão limitações estruturais, entraves legais e mudanças frequentes de gestão.
Além disso, ele destacou a rápida adaptação das organizações criminosas. Por isso, as equipes precisam investir continuamente em capacitação e inovação.
Formação fortalece atuação estratégica
A aula magna deu início à especialização promovida pelo Ministério Público do Tocantins, voltada à qualificação de membros e servidores.
Representando o procurador-geral de Justiça, Abel Andrade Leal Júnior, o promotor Juan Rodrigo Aguirre reforçou a importância da iniciativa.
Segundo ele, o cenário atual exige preparo técnico e atuação estratégica. “As facções deixaram de ser grupos locais e passaram a atuar como corporações transnacionais”, afirmou.
Sobre a pós-graduação
O curso oferece carga horária de 360 horas e duração de 20 meses. Além disso, a especialização é gratuita e disponibiliza 50 vagas para membros, servidores do MPTO e comunidade em geral.
Por fim, a iniciativa reforça o compromisso institucional com a formação contínua e com o enfrentamento qualificado à criminalidade organizada.0
