Brasileiros nunca sairão das dívidas, e este é o principal agravante
A pesquisa “A relação dos brasileiros com dinheiro”, realizada pela Nexus, revelou um cenário preocupante: 51% dos brasileiros das classes A, B e C estão endividados no cartão de crédito. O estudo entrevistou 1.010 pessoas em todos os estados do país e no Distrito Federal, evidenciando a dificuldade das famílias em manter equilíbrio financeiro, poupar e planejar o futuro.
Esse resultado aponta que, mesmo com rendas que variam de R$ 2,4 mil a R$ 26,8 mil, as dívidas comprometem diferentes grupos sociais, revelando que o problema vai além da renda disponível. A pesquisa também mostra que a ansiedade com o futuro e a incapacidade de formar poupança são realidades comuns entre os brasileiros.
A complicação das dívidas no cartão de crédito
O cartão de crédito aparece como o principal vilão das finanças. Segundo o levantamento, 66% das pessoas entre 25 e 40 anos afirmam estar endividadas nessa modalidade, mostrando como o consumo aliado a juros altos pesa para quem está em fase ativa da vida financeira.
A região Nordeste apresentou índice ainda mais elevado: 58% da população está endividada no cartão de crédito, reforçando desigualdades regionais no acesso e uso consciente do crédito. Com juros elevados e a falta de planejamento, essa forma de financiamento se transforma em uma armadilha que dificulta a recuperação financeira.
Empréstimos e financiamentos: mais dívidas no orçamento
Além do cartão de crédito, a pesquisa mostra que 28% dos entrevistados possuem empréstimos pessoais, sendo os maiores de 60 anos os mais afetados: 44% desse grupo recorrem a esse tipo de crédito. Embora muitas vezes os empréstimos sejam usados para quitar outras dívidas, o descontrole pode levar ao agravamento da situação financeira.
Outro dado relevante é que 17% das famílias das classes A, B e C têm financiamentos de imóveis ou veículos. Como são compromissos de longo prazo e valores elevados, esses pagamentos pressionam ainda mais o orçamento de quem já tem outras pendências financeiras.
A insegurança diante do futuro
A pesquisa também mostrou que 63% dos brasileiros das classes A, B e C estão preocupados com o futuro financeiro, e 35% se dizem muito preocupados. Entre os jovens de 18 a 34 anos, mais da metade (55%) relata dificuldade em poupar e organizar o dinheiro, o que aumenta a sensação de insegurança em relação ao futuro.
Já entre os idosos, a realidade é ainda mais delicada: 58% relatam que suas dívidas comprometem mais de um mês de renda, e quase metade tem empréstimos pessoais. A falta de poupança adequada e a dependência de crédito caro colocam esse grupo em maior vulnerabilidade.
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Foto: Jeane de Oliveira
Como os brasileiros lidam com o dinheiro
Outro ponto relevante do estudo é a dificuldade em administrar as finanças. Quase metade dos entrevistados (48%) afirma que consegue pagar todas as contas, mas não sobra nada para poupar. Isso reflete o peso das despesas fixas e das dívidas no orçamento mensal.
Enquanto isso, apenas 30% dizem conseguir organizar as finanças de forma eficiente e ainda guardar dinheiro, mostrando que uma parcela menor da população consegue se proteger de imprevistos. O dado mais preocupante é que 64% não conseguem poupar, ficando expostos a emergências como desemprego, gastos médicos ou atrasos em pagamentos.
Educação financeira: o caminho para mudar o cenário
De acordo com Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, a vulnerabilidade financeira das classes A, B e C está ligada à falta de educação financeira e ao acesso restrito a crédito barato. Sem preparo para gerenciar o dinheiro e sem alternativas de crédito acessível, muitas famílias acabam recorrendo a empréstimos com juros altos e ampliam suas dívidas.
Para mudar essa realidade, é fundamental investir em educação financeira, aprender a controlar gastos e priorizar a formação de poupança, mesmo que pequena. Além disso, políticas públicas de inclusão financeira e acesso a crédito com custos mais baixos podem contribuir para um futuro mais estável para milhões de brasileiros.
O estudo mostra que as dívidas no cartão de crédito são hoje o maior desafio financeiro das classes A, B e C no Brasil, atingindo mais da metade da população. Combinadas a empréstimos e financiamentos, essas pendências comprometem a renda e dificultam a formação de reservas.
Apesar disso, uma parte da população consegue administrar bem o orçamento, o que reforça a importância da disciplina e da educação financeira como ferramentas para virar o jogo. O futuro financeiro do país depende tanto de escolhas individuais mais conscientes quanto de melhores condições de crédito e políticas de incentivo à poupança.
