Ex-delegado Ruy Ferraz Fontes foi executado no carro da esposa enquanto o seu passava por blindagem
O ex-delegado-geral de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, estava sem escolta e utilizava o carro da esposa no momento em que foi executado a tiros por criminosos na última segunda-feira (15), em Praia Grande, no litoral paulista. O motivo: o veículo blindado de Fontes estava na oficina, passando por processo de blindagem.
Segundo autoridades, o ataque ocorreu por volta das 18h16, após os criminosos monitorarem os movimentos do ex-delegado na região da Secretaria de Educação da cidade. Após os primeiros disparos de fuzil, Fontes tentou escapar, mas foi perseguido por aproximadamente 500 metros. Ele colidiu com um ônibus e capotou na Avenida Dr. Roberto de Almeida Vinhas. Nesse momento, três criminosos armados desceram de um carro, e dois deles se aproximaram do veículo para executá-lo com diversos disparos.
A arma de fogo de Fontes foi localizada dentro de uma bolsa com seus pertences pessoais. Ele havia ingressado na Secretaria de Administração de Praia Grande em janeiro de 2023, após se aposentar da Polícia Civil. A Secretaria de Segurança Pública de SP afirmou que o ex-delegado não havia solicitado escolta, um benefício disponível a ex-delegados-gerais mediante solicitação.

Um legado no combate ao crime organizado
Com mais de 40 anos de atuação na Polícia Civil, Fontes foi figura central nas investigações e no enfrentamento ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Como chefe da 5ª Delegacia de Roubo a Bancos do Deic, nos anos 2000, deu início a operações que mapearam a estrutura da facção criminosa e levaram à prisão de seus principais líderes.
Entre 2019 e 2022, ocupou o cargo de delegado-geral de Polícia de São Paulo, sendo responsável pela transferência de chefes do PCC de presídios estaduais para unidades federais — ação considerada estratégica para desarticular o comando do grupo nas prisões.
Fontes também dirigiu unidades como o DHPP, Denarc, Deic e Decap, além de atuar como professor de Criminologia e Direito Processual Penal. Tinha formação em Direito, com pós-graduação, e participou de cursos no Brasil, França e Canadá.

A blindagem e os cuidados pessoais
O veículo blindado que Fontes usava em São Paulo estava na oficina para instalação do sistema de proteção, processo que pode levar entre 30 e 60 dias e deve ser autorizado pelo Exército Brasileiro. Ele usava o carro da esposa enquanto aguardava a finalização do serviço.
A Prefeitura de Praia Grande informou que, enquanto esteve à frente da Secretaria de Administração, Fontes não relatou preocupações com sua segurança, nem mencionou episódios ligados à sua atuação anterior como delegado.
Despedida
O velório de Ruy Ferraz Fontes ocorreu na manhã desta terça-feira (16), na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), com a presença de familiares, amigos e autoridades. O sepultamento foi realizado no final da tarde, no Cemitério da Paz, no Morumbi, zona sul da capital.
A Polícia Civil e o DHPP seguem com as investigações do caso, considerado de alta complexidade e tratado como execução premeditada.
