Desemprego no menor nível da história e salário recorde; entenda o ‘milagre’
Uma nova pesquisa da Fundação Getulio Vargas revelou um dado inédito: mais da metade dos trabalhadores brasileiros não acredita na possibilidade de perder o emprego nos próximos seis meses. De acordo com o levantamento, 42,3% consideram improvável ficar sem ocupação, e outros 11,5% dizem ser muito improvável. Apenas 2,8% enxergam risco alto de desemprego.
Esse sentimento de segurança tem explicação. A taxa de desocupação divulgada pelo IBGE ficou em 5,8% no segundo trimestre, o menor índice já registrado desde o início da série histórica, em 2012. Além disso, o país bateu recorde no número de trabalhadores com carteira assinada, ultrapassando 39 milhões. O rendimento médio também chegou ao maior valor já medido: R$ 3.477.
Com um mercado aquecido e salários em alta, cresce a confiança do trabalhador em manter sua ocupação ou até em encontrar uma nova oportunidade em caso de necessidade. Esse dinamismo vem sustentando um otimismo que não era visto há anos no mercado de trabalho brasileiro.

Salários em alta, mas juros podem esfriar a economia
O responsável pela sondagem, Rodolpho Tobler, alerta que esse momento de euforia pode não durar para sempre. O motivo está na política monetária. Com a inflação acumulada em 5,13% em 12 meses, acima da meta oficial, o Banco Central mantém a Selic em 15% ao ano, o maior nível desde 2006.
Esse juro elevado tem efeito direto no bolso de empresas e consumidores. Com empréstimos mais caros, os investimentos produtivos tendem a perder espaço para aplicações financeiras. Esse movimento costuma desacelerar a economia, o que pode impactar o emprego e a renda nos próximos meses.
Na prática, o cenário atual mistura duas faces. De um lado, a economia mostra fôlego, com recordes no mercado de trabalho. De outro, os efeitos contracionistas dos juros altos podem trazer uma fase de desaceleração, o que gera incerteza sobre a manutenção desse “milagre” de desemprego e salários em patamares históricos.
Segurança maior para quem ganha mais
A pesquisa da FGV também revelou diferenças importantes entre as faixas de renda. Entre os trabalhadores que ganham até um salário mínimo, apenas 32,6% acreditam que a perda do emprego seja improvável. O índice sobe para 41,3% entre aqueles que recebem de um a três salários e chega a 62,4% entre os que ganham acima de três salários mínimos.
Isso mostra que a sensação de estabilidade no mercado de trabalho é maior entre os que estão em posições mais bem remuneradas. Já nas faixas de renda mais baixas, ainda prevalece a percepção de maior vulnerabilidade, mesmo com os números positivos do desemprego.
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Além disso, a sondagem indicou que 59,7% dos trabalhadores estão satisfeitos com seu emprego, enquanto 15,3% se dizem muito satisfeitos. Mas nem tudo é positivo: um terço dos entrevistados relatou se sentir muito desprotegido em termos de segurança social, revelando que ainda há desafios estruturais no mercado de trabalho brasileiro.
