No Tocantins, médico especialista em nutrologia alerta para riscos das dietas restritiva
“O ponto principal é ter um acompanhamento. Realizar uma consulta, entender qual é o seu momento. Se você precisa perder muito ou pouco peso, ou se precisa ganhar massa muscular e seguir uma dieta direcionada. É importante lembrar que essas receitas e resultados muito rápidos podem trazer consequências a longo prazo”, afirma.
De acordo com o especialista, a adesão a dietas extremamente restritivas pode gerar problemas sérios. Entre eles, estão quadros de síncope — desmaios causados pela baixa disponibilidade de energia —, desidratação e até deficiências nutricionais prolongadas. “Essas dietas milagrosas podem trazer riscos em que sentido? Você ficar muito tempo sem comer, gerando um quadro de desmaio. Pode também passar muito tempo e se desidratar, podendo gerar problemas futuros, como deficiências relacionadas a nutrientes e vitaminas”, explica Araújo.

O médico lembra que emagrecer está diretamente ligado ao balanço calórico negativo, ou seja, ingerir menos calorias do que se gasta. Mas alcançar esse equilíbrio não é tão simples quanto parece. “Existem fatores genéticos, biológicos, psicológicos, socioculturais e ambientais que interferem na forma como cada pessoa responde a uma dieta. Por isso, não existe uma receita única que funcione para todos”, acrescenta.
Outro erro recorrente, segundo ele, é acreditar que eliminar grupos alimentares inteiros seja a chave para o emagrecimento. Dietas que cortam totalmente os carboidratos, por exemplo, podem causar fadiga, queda de rendimento físico e até problemas cognitivos. “Nosso corpo utiliza os carboidratos como fonte de energia para o funcionamento do cérebro, músculos e sistema nervoso. Uma dieta sem carboidratos te deixaria fraco e cansado, entre outros malefícios”, alerta.
Além disso, dietas muito restritivas podem provocar compulsão alimentar, resultado da tentativa do corpo de repor nutrientes essenciais. “Quando você restringe severamente a sua dieta, o risco de episódios de compulsão alimentar aumenta. Isso se deve à necessidade do corpo de consumir determinados nutrientes, além de fatores psicológicos e socioculturais”, reforça o especialista.

Ele explica ainda que, em muitos casos, a perda de peso inicial em dietas radicais não significa eliminação de gordura corporal, mas sim de líquidos ou até de massa muscular. “Dietas restritivas podem criar a ilusão de perda de peso, mas muitas vezes o que acontece é a desidratação ou o catabolismo, que é a perda de massa muscular. Isso compromete a saúde e pode gerar um efeito rebote, com ganho de peso ainda maior no futuro”, observa Araújo.
Para o médico, o processo de emagrecimento deve ser entendido como um projeto de saúde, e não apenas de estética. “Ter uma dieta adequada para o seu organismo, seguir ela e ter bons hábitos, como atividade física, é o que vai te ajudar a alcançar o objetivo. O que não pode é começar sozinho, se frustrar e abandonar mais uma vez esse processo”, afirma.
O especialista reforça que, mais do que cortar calorias de forma aleatória, é essencial selecionar alimentos de qualidade e garantir equilíbrio nutricional. Isso inclui proteínas, carboidratos, gorduras saudáveis, vitaminas e minerais. “O emagrecimento saudável é gradual. Não é o atalho que vai te trazer resultado, mas a constância. É preciso pensar no longo prazo, porque perder peso rápido e recuperar logo depois não resolve. O acompanhamento médico garante segurança e previne complicações”, conclui.
