Após foco de gripe aviária no RS, ovos de incubação serão destruídos como medida preventiva
O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) anunciou neste sábado (17) que vai destruir todos os ovos de incubação oriundos de uma granja localizada em Montenegro (RS), onde foi identificado um foco de gripe aviária. A ação faz parte de um protocolo de prevenção para impedir que o vírus H5N1, causador da doença, se espalhe para outras regiões.
Os ovos em questão foram distribuídos para granjas no Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais. Apesar de não haver confirmação de que eles estejam contaminados, o Ministério optou por eliminá-los como forma de proteger o setor avícola nacional. Esses ovos não são destinados ao consumo humano — eles servem como matrizes para gerar novas aves em granjas.
Segundo o Ministério, todas as ações seguem o plano de contingência contra a influenza aviária e a doença de Newcastle. Isso inclui a destruição dos ovos e outras medidas de biossegurança para garantir que o vírus não atinja plantéis comerciais em outras partes do país.
Em nota, o MAPA ressaltou que “não há comprovação de que os ovos estejam contaminados, mas todas as medidas estão sendo adotadas para proteger a produção e manter a confiança no setor avícola brasileiro”.
Imagens divulgadas pela agência Reuters mostram que a destruição dos ovos já começou na granja afetada.
Repercussão internacional
Mesmo com a garantia de que não há risco ao consumo humano de carne de frango ou ovos, países como China, União Europeia, Argentina, Uruguai, Chile e México decidiram suspender temporariamente a importação de frango brasileiro. A medida é uma precaução para evitar que o vírus seja acidentalmente introduzido em seus territórios, o que poderia comprometer suas próprias produções avícolas.
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, explicou que a preocupação internacional não está ligada à alimentação, mas sim à possibilidade de contaminação de granjas por meio do transporte de animais ou produtos contaminados. “Não é o consumo humano que está em risco, e sim a contaminação sanitária dos plantéis comerciais”, afirmou ele em entrevista à GloboNews.
Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a probabilidade de um produto contaminado causar esse tipo de transmissão é extremamente baixa, já que seria necessário o contato direto entre a carcaça e aves vivas. Ainda assim, a suspensão das exportações é uma prática comum diante de qualquer detecção da doença, mesmo que isolada.
Fávaro reforçou que o consumidor brasileiro não corre risco, especialmente porque o vírus é eliminado no processo de cozimento. “As pessoas não devem consumir carne ou ovos crus, não só por causa da gripe aviária, mas também por outras doenças como a salmonella”, alertou.
