Carne sobe 20,84% em 2024: entenda os motivos da maior alta desde 2019
O preço da carne bovina disparou 20,84% em 2024, marcando a maior alta desde 2019, quando o aumento foi de 32,4%. Segundo dados do IBGE divulgados nesta sexta-feira (10), a carne se tornou o principal item da inflação de alimentos do ano, contribuindo com 0,52 ponto percentual para o índice que alcançou 7,69%.
Cortes populares, como acém (25,2%), patinho (24%) e contrafilé (20%), tiveram os maiores reajustes. Curiosamente, a alta aconteceu apenas a partir de setembro; nos meses anteriores, os preços apresentaram quedas mensais.
Fatores que Explicam a Alta
Economistas apontam quatro razões principais para o aumento nos preços da carne em 2024:
Ciclo Pecuário: Após dois anos de abates intensivos, a oferta de bois diminuiu, com menos fêmeas disponíveis para reprodução. Isso elevou o preço do bezerro em 22% entre julho e novembro, pressionando os custos do setor.
Clima Adverso: Secas históricas e queimadas reduziram a formação de pastos, principal alimento do gado. A alternativa de confinamento com ração encareceu ainda mais o processo de engorda.
Exportações Recordes: O Brasil, maior exportador de carne do mundo, bateu recordes em 2024, com 301 mil toneladas embarcadas em outubro. A crescente demanda externa reduziu a disponibilidade do produto no mercado interno, elevando os preços.
Aumento da Renda: A queda no desemprego, reajustes no salário mínimo e benefícios sociais impulsionaram o consumo interno de carne. O pagamento do 13º salário e as festividades de fim de ano também aqueceram a demanda.
Perspectivas para 2025
Analistas acreditam que os preços continuarão subindo em 2025 e possivelmente até 2026, devido à demora no ciclo de produção do gado. Com menos bezerros disponíveis, a oferta de carne deve permanecer restrita.
Enquanto isso, os brasileiros enfrentam dificuldades para equilibrar o orçamento alimentar, com a carne — o “bifão” preferido do país — se tornando um item cada vez mais caro na mesa.
