Nutrologia no acompanhamento de crianças e adolescentes no espectro autista
O transtorno do espectro autista (TEA) reúne um conjunto de características nos indivíduos acometidos que comprometem a sociabilidade, comunicação e desenvolvimento da linguagem.
É comum que pacientes com TEA desenvolvam interesses reduzidos, realizando as atividades de forma repetitiva.
Além disso, estudos apontam que as crianças e adolescentes no espectro autista apresentam particularidades no que se refere aos hábitos alimentares que se refletem na condição nutricional.
Quais as particularidades da alimentação de crianças e adolescentes com TEA?
Foi observado que é padrão comum entre os pacientes com TEA a seletividade alimentar, de forma que algumas ocorrências frequentes incluem:
alto consumo de alimentos processados;
preferência por alimentos doces;
consumo insuficiente de frutas e verduras;
pouca variedade alimentar;
dificuldade para aceitar a introdução de novos alimentos na dieta.
Essas características fazem com que muitas crianças e adolescentes no espectro autista tenham uma alimentação pobre nutritivamente e que não abarca todo o contexto nutricional almejado.
Dessa forma, não é incomum que haja carências nutricionais e desnutrição energético-proteica, apesar dos esforços dos pais e responsáveis por uma alimentação mais diversificada.
Esse público também caracteriza-se pela dificuldade de sociabilidade, incluindo a prática de atividades esportivas, o que leva ao sedentarismo e agrava o quadro nutricional.
Não é incomum que crianças e adolescentes com TEA apresentem sobrepeso e obesidade devido à preferência por alimentos processados, pouco interesse na ingestão de frutas e verduras e falta de atividades físicas.
Esse contexto, já comprovado por meio de diversos estudos, demanda atenção especializada às crianças e adolescentes no espectro autista visando um suporte multidisciplinar que abarque as demandas nutricionais, psicossociais e culturais/educacionais.
Qual a importância da nutrologia?
A nutrologia é uma especialidade médica voltada à prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças do comportamento alimentar.
Entre as patologias que podem ser diagnosticadas, tratadas e monitoradas por um nutrólogo incluem-se a diabetes, intolerâncias alimentares, obesidade, anemia e outras.
Esse profissional agrega no acompanhamento multidisciplinar das crianças e adolescentes com TEA, uma vez que desempenha papel tanto preventivo quanto terapêutico.
Monitoramento do estado nutricional
Devido à seletividade nutricional das crianças e adolescentes no espectro autista é fundamental que haja um acompanhamento recorrente do estado nutricional, especialmente em pacientes mais resistentes a diversidade alimentar.
Ainda que não haja um tratamento ideal que englobe o contexto nutricional dos pacientes com TEA, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) não recomenda que se recorra à medicalização.
O ideal é que carências nutricionais possam ser monitoradas e combatidas por meio de estratégias focadas no comportamento alimentar.
Diagnóstico de intolerância
Se a alimentação já é um desafio no dia a dia de crianças e adolescentes com TEA, esse contexto pode ser ainda mais difícil quando há intolerâncias alimentares que podem causar sintomas como dores e desconfortos intestinais, diarreia e até sangramento.
A Sensibilidade Não Celíaca ao Glúten, por exemplo, resulta em uma irritação intestinal devido ao consumo de glúten, proteína do trigo usada em massas, alguns processados, cereais e outros.
Nesses casos, o diagnóstico e orientação médica são imprescindíveis para maior qualidade de vida do paciente e superação dos sintomas a partir de mudanças na dieta.
Orientação parental
Além da avaliação do paciente, diagnóstico e acompanhamento de patologias, o nutrólogo também desempenha um papel importante na orientação parental em relação aos hábitos e comportamentos alimentares das crianças e adolescentes no espectro autista.
Muitos pais e responsáveis têm dúvidas e inseguranças quanto à seletividade alimentar, pois reconhecem os prejuízos nutricionais de uma dieta pouco variada, mas não sabem como lidar com a condição.
O acompanhamento e orientação do especialista são fundamentais para mitigar os receios parentais, especialmente quanto a possíveis patologias devido às preferências alimentares, mas também quanto ao sentimento de culpa.
Não é incomum que os pais tenham uma opinião autocrítica depreciativa por conta dos hábitos alimentares das crianças e o suporte especializado é importante na assistência não apenas ao paciente, mas à rede de apoio dele.
Individualização da dieta
Com todas as questões avaliadas em consulta e exames, o nutrólogo pode orientar, individualmente, quando à dieta e comportamentos alimentares das crianças e adolescentes.
O profissional é mais apto para orientar não apenas quanto aos nutrientes que devem ser incorporados à dieta e quais alimentos, mas quais estratégias podem ser usadas para despertar o interesse do paciente por aqueles alimentos.
No contexto das crianças e adolescentes com TEA, utilizar-se de estratégias testadas para ajudar na introdução de alimentos diversos é fundamental para mitigar o estresse e a resistência nesse processo.
Assim, buscar auxílio de uma clínica de nutrologia é um passo importante para um acompanhamento multidisciplinar satisfatório das crianças e adolescentes no espectro autista e no enfrentamento aos problemas nutricionais decorrentes da seletividade alimentar desses pacientes.
