Salário de R$ 26 mil e patrimônio milionário: ex-gerente investigado vira alvo de operação por desvio no TO

O ex-gerente de fazenda P. A. P., preso preventivamente por suspeita de desviar R$ 10 milhões, recebia salário de R$ 26 mil. Segundo a Polícia Civil, ele teria liderado um esquema de desvios na Fazenda Bacaba, em Miranorte, entre 2021 e 2025.
A polícia prendeu P. A. P., na última terça-feira (7), durante uma operação que cumpriu mandados em Miranorte e Lajeado, no Tocantins, além de Novo São Joaquim, no Mato Grosso. Na ação, os agentes também prenderam outro homem em flagrante por posse ilegal de arma de fogo. No entanto, o nome dele não foi divulgado, e a reportagem não conseguiu contato com a defesa.
Investigações começaram após suspeita dos proprietários
As investigações começaram há cerca de seis meses, depois que os donos da fazenda identificaram inconsistências financeiras e pediram apuração.
De acordo com a polícia, o ex-gerente aproveitou a confiança dos proprietários para cometer irregularidades. Por isso, ele responde por suspeita de furto qualificado mediante fraude, lavagem de dinheiro e agiotagem.
Defesa nega acusações e pede acesso ao processo
A defesa de P. A. P., informou que ainda não teve acesso completo ao inquérito. Por esse motivo, afirmou que vai se manifestar de forma mais detalhada em momento oportuno.
Além disso, os advogados sustentam a inocência do investigado. Eles destacam que ele atua há mais de 20 anos no meio rural, sem histórico de irregularidades. Também afirmam que o patrimônio não foi construído recentemente, como apontam as investigações.
Justiça bloqueia milhões em contas
A Justiça determinou o bloqueio de R$ 10 milhões nas contas do investigado e da esposa. Além disso, bloqueou R$ 1,6 milhão nas contas de uma empresa que, segundo a investigação, integrava o esquema.
Como funcionava o esquema, segundo a polícia
Segundo a Polícia Civil, o suspeito utilizava o cargo para superfaturar serviços contratados pela fazenda. Em seguida, desviava a diferença entre os valores reais e os informados para contas próprias e de terceiros.
Além disso, empresas prestadoras de serviço relataram comportamento intimidatório durante cobranças. De acordo com depoimentos, ele teria utilizado arma de fogo nessas situações.
Documentos analisados pela 6ª DEIC apontam planilhas que indicam controle de valores ligados à prática de agiotagem. Conforme a investigação, o suspeito teria usado parte do dinheiro desviado nessas operações.
Evolução patrimonial chama atenção
Durante o inquérito, os investigadores identificaram uma evolução patrimonial incompatível com a renda do suspeito.
Apesar de receber cerca de R$ 26 mil por mês, o patrimônio dele saltou de aproximadamente R$ 200 mil para R$ 1,9 milhão entre 2023 e 2024, sem comprovação da origem dos recursos.
Além disso, após a quebra de sigilos, a polícia identificou aplicações superiores a R$ 2,5 milhões em fundos de investimento.
Os agentes também encontraram pesquisas feitas pelo suspeito na internet sobre investimentos capazes de gerar renda mensal de R$ 20 mil e sobre processos contra funcionários acusados de superfaturamento.
Nota da defesa na íntegra
A defesa informou que ainda não teve acesso integral ao inquérito policial nem ao processo que fundamentou as medidas judiciais. Por isso, afirmou que apresentará manifestação detalhada após analisar os autos.
Mesmo assim, os advogados reforçam que o investigado é inocente. Segundo a defesa, ele possui mais de 15 anos de atuação como gerente de fazenda e mais de 20 anos de trabalho no meio rural, sem envolvimento em práticas ilícitas.
Além disso, a defesa afirma que o patrimônio foi construído ao longo de anos, e não em curto período, como sugerem algumas divulgações.
Os advogados também destacam que a investigação ainda está em andamento. Portanto, reforçam a necessidade de respeito ao princípio da presunção de inocência.
Por fim, a defesa afirma que a divulgação antecipada de informações tem causado prejuízos à imagem do investigado. Ainda assim, demonstra confiança de que a apuração comprovará a inocência.
