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Nova licença-paternidade pode reduzir desigualdade e mudar mercado de trabalho

Brasil — 04/04/2026 - 08:53 / Atualizado em: 04/04/2026 · 10:09 Por:  Marcionilia Leite

Foto: Divulgação

A ampliação da licença-paternidade no Brasil reacendeu o debate sobre desigualdade no mercado de trabalho.

A nova lei, sancionada recentemente, aumenta o período de afastamento dos pais de forma gradual. Primeiro, passa de 5 para 10 dias em 2027. Depois, sobe para 15 dias em 2028 e chega a 20 dias em 2029.

Além disso, o benefício também inclui adoção e guarda. Outro avanço importante envolve a ampliação do acesso para trabalhadores informais, como autônomos e microempreendedores.

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Mudança pode impactar contratação de mulheres

Especialistas apontam que a medida pode reduzir a discriminação contra mulheres no mercado.

Isso acontece porque empresas costumam associar a maternidade a custos e afastamentos. Como resultado, muitas decisões de contratação e promoção acabam sendo influenciadas por esse fator.

No entanto, quando homens também passam a se afastar, essa diferença tende a diminuir.

Assim, o risco percebido deixa de recair apenas sobre as mulheres.

Desigualdade começa na divisão do cuidado

Hoje, o cuidado com filhos ainda recai majoritariamente sobre as mulheres.

Elas dedicam, em média, 21,3 horas semanais a tarefas domésticas e cuidados. Por outro lado, os homens dedicam 11,7 horas.

Além disso, quase metade das mães deixa o mercado formal até dois anos após a licença-maternidade.

Consequentemente, a carreira feminina sofre impactos diretos, tanto em crescimento quanto em renda.

Mulheres estudam mais, mas avançam menos

Apesar de representarem a maioria entre os formados no ensino superior, as mulheres ainda enfrentam barreiras.

Elas ocupam apenas 26,5% dos cargos de liderança. Além disso, recebem, em média, 78,6% do salário dos homens.

Portanto, a desigualdade não está na qualificação, mas nas oportunidades.

Experiências internacionais mostram outro cenário

Em países com licenças mais equilibradas, o impacto é diferente.

Na Suécia, por exemplo, famílias têm direito a 480 dias de licença parental. Parte desse período é obrigatoriamente dividida entre pai e mãe.

Como resultado, o mercado distribui melhor os custos da parentalidade. Dessa forma, a contratação de mulheres sofre menos preconceito.

Nova lei é avanço, mas ainda limitado

Apesar do progresso, especialistas consideram a mudança tímida.

O Brasil ainda não adota um modelo de licença parental compartilhada. Ou seja, o cuidado continua concentrado nas mulheres.

Mesmo assim, o país deve subir no ranking global de licença-paternidade.

O que muda na prática para os pais

A nova legislação também traz mudanças importantes no funcionamento do benefício.

Agora chamado de salário-paternidade, o valor será pago pela Previdência Social.

Além disso, o direito passa a valer para mais categorias de trabalhadores.

Em situações específicas, como ausência da mãe ou guarda unilateral, o pai poderá ter licença equivalente à maternidade, podendo chegar a até 180 dias.

Empresas terão papel decisivo na mudança

Por fim, especialistas destacam que a lei sozinha não resolve o problema.

Empresas precisam adotar medidas complementares. Entre elas, programas de retorno ao trabalho, apoio à primeira infância e planejamento de carreira.

Assim, será possível garantir que mulheres permaneçam e cresçam no mercado.

Mudança aponta novo caminho

A ampliação da licença-paternidade representa um passo importante.

No entanto, o impacto real dependerá de mudanças culturais e institucionais.

Portanto, o desafio agora é transformar a nova regra em avanço concreto para igualdade no trabalho.

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Tópicos: BRASIL, DESIGUALDADE, ECONOMIA, EMPREGO, PATERNIDADE, TRABALHO

Marcionilia Leite

Redatora freelance para o portal Surgiu, com atuação em produção, edição e gestão de conteúdo. Possui domínio de ferramentas de criação, revisão e publicação de textos, com foco em qualidade, clareza e engajamento.

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