Nova licença-paternidade pode reduzir desigualdade e mudar mercado de trabalho

A ampliação da licença-paternidade no Brasil reacendeu o debate sobre desigualdade no mercado de trabalho.
A nova lei, sancionada recentemente, aumenta o período de afastamento dos pais de forma gradual. Primeiro, passa de 5 para 10 dias em 2027. Depois, sobe para 15 dias em 2028 e chega a 20 dias em 2029.
Além disso, o benefício também inclui adoção e guarda. Outro avanço importante envolve a ampliação do acesso para trabalhadores informais, como autônomos e microempreendedores.
Mudança pode impactar contratação de mulheres
Especialistas apontam que a medida pode reduzir a discriminação contra mulheres no mercado.
Isso acontece porque empresas costumam associar a maternidade a custos e afastamentos. Como resultado, muitas decisões de contratação e promoção acabam sendo influenciadas por esse fator.
No entanto, quando homens também passam a se afastar, essa diferença tende a diminuir.
Assim, o risco percebido deixa de recair apenas sobre as mulheres.
Desigualdade começa na divisão do cuidado
Hoje, o cuidado com filhos ainda recai majoritariamente sobre as mulheres.
Elas dedicam, em média, 21,3 horas semanais a tarefas domésticas e cuidados. Por outro lado, os homens dedicam 11,7 horas.
Além disso, quase metade das mães deixa o mercado formal até dois anos após a licença-maternidade.
Consequentemente, a carreira feminina sofre impactos diretos, tanto em crescimento quanto em renda.
Mulheres estudam mais, mas avançam menos
Apesar de representarem a maioria entre os formados no ensino superior, as mulheres ainda enfrentam barreiras.
Elas ocupam apenas 26,5% dos cargos de liderança. Além disso, recebem, em média, 78,6% do salário dos homens.
Portanto, a desigualdade não está na qualificação, mas nas oportunidades.
Experiências internacionais mostram outro cenário
Em países com licenças mais equilibradas, o impacto é diferente.
Na Suécia, por exemplo, famílias têm direito a 480 dias de licença parental. Parte desse período é obrigatoriamente dividida entre pai e mãe.
Como resultado, o mercado distribui melhor os custos da parentalidade. Dessa forma, a contratação de mulheres sofre menos preconceito.
Nova lei é avanço, mas ainda limitado
Apesar do progresso, especialistas consideram a mudança tímida.
O Brasil ainda não adota um modelo de licença parental compartilhada. Ou seja, o cuidado continua concentrado nas mulheres.
Mesmo assim, o país deve subir no ranking global de licença-paternidade.
O que muda na prática para os pais
A nova legislação também traz mudanças importantes no funcionamento do benefício.
Agora chamado de salário-paternidade, o valor será pago pela Previdência Social.
Além disso, o direito passa a valer para mais categorias de trabalhadores.
Em situações específicas, como ausência da mãe ou guarda unilateral, o pai poderá ter licença equivalente à maternidade, podendo chegar a até 180 dias.
Empresas terão papel decisivo na mudança
Por fim, especialistas destacam que a lei sozinha não resolve o problema.
Empresas precisam adotar medidas complementares. Entre elas, programas de retorno ao trabalho, apoio à primeira infância e planejamento de carreira.
Assim, será possível garantir que mulheres permaneçam e cresçam no mercado.
Mudança aponta novo caminho
A ampliação da licença-paternidade representa um passo importante.
No entanto, o impacto real dependerá de mudanças culturais e institucionais.
Portanto, o desafio agora é transformar a nova regra em avanço concreto para igualdade no trabalho.
