“Cheiro forte de cloro” e pessoas vomitando: relatos revelam o que ocorreu na piscina onde mulher morreu
A Polícia Civil de São Paulo investiga a morte de uma mulher de 27 anos após um incidente ocorrido em uma piscina de academia na Zona Leste da capital paulista. Outras duas pessoas — o marido da vítima e um adolescente de 14 anos — permanecem internadas em estado grave.
A vítima foi identificada como Juliana Faustino Bassetto, que participava de uma aula de natação com o marido, Vinícius de Oliveira, de 31 anos. Segundo relatos de familiares, o casal começou a passar mal logo após entrar na piscina.

Testemunhas informaram que Vinícius entrou primeiro na água e Juliana pulou em seguida. Ao tentar sair da piscina, ela já apresentava sinais de mal-estar. O casal foi socorrido e encaminhado a um hospital em Santo André, na Grande São Paulo. O quadro clínico de Juliana se agravou durante a madrugada, e ela morreu horas depois.
Outras pessoas passaram mal
De acordo com testemunhas, outras pessoas também apresentaram sintomas no local. Um aluno da academia relatou que havia pessoas passando mal, vomitando e deitadas no chão.
Um adolescente de 14 anos também foi intoxicado e socorrido pelo pai, que relatou ter sentido um cheiro forte no ambiente, semelhante a cloro. Assim como Vinícius, o jovem permanece internado em estado grave.
Suspeita de reação química
A perícia técnica esteve na academia e utilizou equipamentos especiais para coletar amostras no local. Segundo os investigadores, não foram detectados gases tóxicos no ar no momento da análise.
A principal suspeita da polícia é de que tenha ocorrido uma mistura inadequada de produtos químicos utilizados na limpeza da piscina, provocando uma reação química e a liberação de gases tóxicos.
Segundo o delegado responsável pelo caso, a substância teria causado asfixia e queimaduras nas vias aéreas das vítimas.
Durante a investigação, a polícia apreendeu um balde que teria sido utilizado por um funcionário para realizar a mistura dos produtos. O objeto estava em um depósito junto a outras embalagens usadas na manutenção da piscina. A área onde as vítimas passaram mal corresponde ao local onde a mistura teria sido preparada.
Academia é interditada
O delegado informou ainda que a academia não possuía alvará de funcionamento. O estabelecimento foi interditado pelas autoridades.
Em nota, a academia C4 afirmou que lamenta o ocorrido, disse que prestou atendimento aos envolvidos e declarou que opera dentro das exigências legais. A empresa também informou que a manutenção da piscina segue os protocolos usuais de limpeza e tratamento da água.
Investigação segue em andamento
Familiares de Juliana cobram justiça e afirmam que buscam responsabilização para evitar que casos semelhantes se repitam.
“Não é por dinheiro. É para que isso não aconteça com mais ninguém”, disse um parente da vítima.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil.
