Menino de 8 anos indica local onde esteve com os primos antes do desaparecimento no MA
As buscas por Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, que estão desaparecidos há 18 dias em Bacabal, no Maranhão, tiveram um novo desdobramento nesta semana. Na terça-feira (20), o menino de 8 anos, primo das crianças, participou das diligências com autorização da Justiça maranhense.
Acompanhado por policiais e por profissionais da rede de proteção à infância, o garoto percorreu os caminhos que, segundo ele, foram os últimos trilhados ao lado dos primos antes de ser encontrado. Durante a ação, ele confirmou as informações já repassadas anteriormente a peritos da Polícia Civil e à equipe de psicólogos responsáveis por seu acompanhamento.

Entre os pontos indicados está uma cabana conhecida como “casa caída”, situada a aproximadamente 500 metros do rio Mearim. De acordo com o menino, esse foi o último local onde esteve com Ágatha e Allan, antes de sair em busca de ajuda. Cães farejadores utilizados nas buscas confirmaram vestígios da presença das crianças no local.
Acompanhamento psicológico e proteção
Para evitar qualquer tipo de exposição ou revitimização, foi montada uma rede de proteção em torno do menino, que seguirá sob acompanhamento psicológico contínuo.
“Esse dano emocional vai existir. Por isso, esse cuidado e esse acompanhamento precisam ser mantidos para evitar danos emocionais maiores e impedir que ele seja revitimizado”, explicou a psicóloga Ana Letícia.
O garoto recebeu alta hospitalar também na terça-feira (20), após permanecer 14 dias internado. Ele havia sido encontrado no dia 7 de janeiro, por carroceiros que transitavam por uma estrada vicinal em um povoado da região, depois de ficar três dias desaparecido.
Buscas seguem sem pistas concretas
Apesar dos novos relatos, não há, até o momento, pistas conclusivas sobre o paradeiro de Ágatha e Allan. As buscas continuam com a atuação de equipes estaduais e federais.
Nesta quarta-feira (21), a Marinha do Brasil e o Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão ampliaram a área de varredura no rio Mearim, com o objetivo de descartar a hipótese de que as crianças tenham caído na água.

O acampamento que havia sido montado no quilombo São Sebastião dos Pretos, onde as crianças moravam, foi desmobilizado após a varredura detalhada da mata e dos lagos próximos, sem que novos indícios fossem encontrados.
Com a redução das equipes voluntárias que atuaram nas primeiras semanas, a comunidade local começa, aos poucos, a retomar a rotina. O avô das crianças, José Emídio Reis, falou sobre a esperança da família.
“O que eu mais quero é abraçar, como sempre fazia todos os dias pela manhã e à noite, antes de dormir. O que eu espero é dar um abraço neles e beijar muito, muito, e não saber quando isso vai acabar”, afirmou.
Uso de tecnologia nas buscas
As equipes concentram os esforços no trecho onde os cães farejadores identificaram vestígios. Militares da Marinha utilizam um side scan sonar, equipamento subaquático capaz de mapear o fundo do rio por meio de ondas sonoras, mesmo em áreas com baixa visibilidade.
O equipamento foi enviado pelo Centro de Hidrografia e Navegação do Norte, de Belém (PA), e chegou a Bacabal no sábado (17). Desde o domingo (18), ele vem sendo operado com o apoio de 11 militares da Marinha.
Investigação policial
Paralelamente às buscas, o caso segue sob investigação da Polícia Civil do Maranhão. Uma comissão formada por oito delegados e investigadores conduz o inquérito.
Na segunda-feira (19), agentes da Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) estiveram em uma vila de pescadores no povoado São Raimundo, próximo ao local onde o menino foi encontrado. Os moradores foram ouvidos como testemunhas.
Segundo a Polícia Civil, não há indícios, até o momento, de envolvimento dos pescadores no desaparecimento. A estratégia, conforme a corporação, é reunir o maior número possível de informações que possam ajudar a esclarecer o caso e localizar Ágatha e Allan.
