Quem é o presidente mais velho do mundo que tentará o 8º mandato
O presidente de Camarões, Paul Biya, de 92 anos, tentará neste domingo (12) um oitavo mandato consecutivo, após mais de quatro décadas no poder. Chefe de Estado mais longevo do mundo em exercício, Biya fez uma rara aparição pública nesta quarta-feira (8) para participar de um ato de campanha, enquanto cresce um movimento, inclusive dentro de sua própria família, pedindo sua saída do governo.
Apesar das críticas e apelos por renovação, Biya é apontado como favorito absoluto, segundo as principais pesquisas. No poder desde 1982, quando depôs o ex-presidente Ahmadou Ahidjo, o líder governa sob denúncias de fraude, repressão e clientelismo político. Ele também revogou o limite de dois mandatos previsto na Constituição, permitindo sua permanência indefinida no cargo.
A candidatura ocorre após a inelegibilidade de Maurice Kamto, principal opositor de Biya, determinada pela Justiça em julho sob alegação de apoio duplicado. Mesmo com a oposição enfraquecida, o país enfrenta um movimento inédito pedindo a saída do presidente, liderado por sua filha Brenda Biya, de 27 anos, que recentemente afirmou nas redes sociais que o pai “fez muita gente sofrer” e pediu aos camaroneses que “votem por mudança”.

O arcebispo Samuel Kleda, uma das vozes mais influentes do país, também afirmou que “não é realista” Biya continuar no cargo. Dois assessores do governo chegaram a questionar publicamente a capacidade do presidente e foram afastados.
Nesta quarta, após semanas sem aparecer, o que gerou rumores sobre sua saúde, Biya falou a uma multidão no norte de Camarões, prometendo melhorias na segurança, combate ao desemprego e obras em infraestrutura.
Segundo analistas do Instituto de Estudos de Segurança (ISS), o poder de Biya se sustenta por uma “rede de lealdades e medo”, com agentes infiltrados por todo o país. “Quando se pega um táxi em Camarões, não se sabe quem é o motorista. As pessoas têm medo de falar”, afirmou o pesquisador Raoul Sumo Tayo.
Para o analista Arrey Ntui, do International Crisis Group, o regime de Biya não admite dissenso.
“Quando se trata do presidente, não há pensamento independente. A história é de um só lado, ele está lá, ele pode se candidatar novamente e pronto.”
