Aos 92 anos, presidente mais velho do mundo é reeleito para 8º mandato em Camarões, e oposição reage com protestos
O presidente Paul Biya, de 92 anos, foi reeleito para mais um mandato à frente de Camarões, consolidando-se como o chefe de Estado em exercício mais velho do mundo. Esta será sua oitava gestão consecutiva, o que o manterá no poder até quase os 100 anos de idade.
De acordo com o Conselho Constitucional camaronês, Biya obteve 53,66% dos votos, contra 35,19% do ex-aliado e agora rival Issa Tchiroma Bakary. O resultado oficial foi anunciado após dias de tensão no país, marcados por protestos e confrontos entre forças de segurança e apoiadores da oposição.
Bakary havia se declarado vencedor dois dias após a votação, realizada em 12 de outubro, alegando ter obtido 54,8% dos votos com base em uma apuração paralela que, segundo ele, representava 80% do eleitorado. O opositor chegou a convocar manifestações caso o governo divulgasse “resultados falsificados e distorcidos”.

O partido governista, Movimento Democrático Popular de Camarões, rejeitou as acusações e afirmou que aguardaria a validação dos resultados pelas autoridades eleitorais.
Quatro mortos em confrontos pós-eleição
A expectativa pelo resultado provocou violência nas ruas. Segundo a imprensa local, quatro pessoas morreram no domingo (26) em Duala, segunda maior cidade do país, durante choques entre manifestantes e forças de segurança. Também foram registrados protestos na capital Yaoundé e em outras cidades como Bafoussam e Douala.
Quatro décadas de poder
Biya assumiu a presidência em 1982, aos 49 anos, após a renúncia de Ahmadou Ahidjo, o primeiro líder do país. Desde então, consolidou um forte controle político, abolindo o limite de mandatos presidenciais em 2008 e vencendo sucessivas eleições com margens amplas.
Apesar de sua longevidade política, o presidente tem enfrentado críticas crescentes e dúvidas sobre sua saúde, especialmente após desaparecer por mais de um mês da vida pública em 2024, sem explicações oficiais.
Com a nova vitória, Paul Biya ultrapassa quatro décadas de poder, mantendo-se como um dos líderes mais longevos do mundo e símbolo de uma governança autoritária marcada por estabilidade e repressão.
