Morte após aplicação de enzimas no Guarujá levanta alerta sobre uso de medicamentos para emagrecimento
Uma tragédia reacendeu o debate sobre os riscos dos tratamentos estéticos e o uso de medicamentos para emagrecimento. Uma mulher de 40 anos, morreu três dias após receber uma aplicação de enzimas em uma clínica de estética no Guarujá (SP). Segundo o marido, além do procedimento, ela fazia uso do medicamento Tirzepatida (Mounjaro), e sofreu uma hemorragia no estômago.
A clínica Emagrecentro, responsável pelo atendimento, declarou em nota que não há evidências de relação entre o tratamento realizado e o óbito da paciente. A empresa destacou ainda que todos os medicamentos utilizados estavam dentro das normas da Anvisa.
O caso foi registrado como morte suspeita na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Santos e é investigado pela Delegacia de Guarujá, que aguarda os laudos do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de Criminalística para determinar as causas da morte.
Especialistas em endocrinologia e farmacologia alertam que a combinação de procedimentos estéticos invasivos e medicamentos de uso sistêmico para emagrecimento pode ser altamente perigosa, especialmente quando não há acompanhamento médico rigoroso. O uso indiscriminado dessas substâncias tem sido comparado a uma “roleta-russa sanitária”, em razão dos riscos graves de reações adversas, complicações metabólicas e hemorragias.
Nos últimos meses, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) proibiu a manipulação da semaglutida, princípio ativo de outro medicamento popular para emagrecimento, o Ozempic, por preocupações relacionadas à segurança. No entanto, a Tirzepatida ainda não está incluída nessa restrição, o que gera preocupação entre profissionais da saúde. Muitos especialistas defendem regras mais rígidas e protocolos de controle para o uso da substância, que tem ação potente sobre o metabolismo e o apetite.
Enquanto a investigação prossegue, o caso serve como um alerta sobre os riscos da automedicação, do uso estético de substâncias potentes e da busca por resultados rápidos sem acompanhamento adequado. A promessa de emagrecimento acelerado, quando feita sem respaldo médico e científico, pode cobrar um preço alto — a própria vida.
