Jejum intermitente e hipertrofia: uma combinação eficaz ou promessa vazia?
Nos últimos anos, o jejum intermitente ganhou popularidade como uma estratégia para emagrecimento e “desintoxicação”. No entanto, a sua eficácia para ganho de massa muscular, ou hipertrofia, é um tema que exige uma análise mais cuidadosa.
De acordo com Camila Junqueira, nutricionista e coordenadora do curso na Faculdade Anhanguera, o jejum intermitente, apesar de possuir potenciais aplicações clínicas em situações controladas, não é a abordagem mais recomendada para quem busca hipertrofia, especialmente sem acompanhamento profissional. “O ganho de massa muscular demanda estímulo frequente através do treino e uma oferta adequada de proteínas e energia ao longo do dia. Períodos prolongados de jejum podem comprometer essa oferta de nutrientes essenciais para a recuperação e crescimento muscular,” explica a especialista.
A nutricionista alerta que, durante o jejum prolongado, o corpo tende a utilizar as reservas de energia, como o glicogênio muscular, e, em situações extremas, pode recorrer à quebra de tecido muscular. “Sem um planejamento adequado, a pessoa corre o risco de entrar em catabolismo, o processo oposto ao ganho de massa muscular,” afirma Camila.

Estudos indicam que jejuar por longos períodos, especialmente sem um treino adequado ou dieta ajustada, pode prejudicar o desempenho físico, causar fadiga, irritabilidade e até mesmo alterações hormonais. “Essa prática pode ser ainda mais prejudicial para indivíduos com metabolismo acelerado, adolescentes em fase de crescimento, mulheres com distúrbios menstruais e pessoas com histórico de transtornos alimentares,” acrescenta a nutricionista.
Apesar destas ressalvas, Camila Junqueira enfatiza que o jejum intermitente não deve ser descartado por completo. Quando bem orientado, pode trazer benefícios para perfis metabólicos específicos, como no controle da resistência à insulina ou em estratégias para reduzir o percentual de gordura. “O segredo reside na individualização. O que funciona para um corpo pode não funcionar para outro. Nutrição e treino precisam caminhar juntos, com metas claras e seguras. O ideal é nunca seguir dietas da moda sem a devida orientação profissional,” completa.
Para aqueles que buscam a hipertrofia muscular, a especialista recomenda priorizar uma alimentação balanceada e fracionada ao longo do dia, com uma ingestão adequada de calorias, proteínas e micronutrientes. Além disso, treinos de força bem estruturados e um descanso de qualidade são fundamentais para otimizar o ganho de massa muscular.
