DNIT inicia testes em ponte entre Pedro Afonso e Tupirama após pressão de autoridades do Tocantins

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) iniciou, nesta quinta-feira (9), os testes de resistência na ponte sobre o Rio Tocantins, na BR-235, entre Pedro Afonso e Tupirama. A medida ocorreu após uma mobilização de autoridades tocantinenses em Brasília e representa um passo importante para definir o futuro da estrutura.
Na quarta-feira (8), o presidente da Cooperativa Agroindustrial do Tocantins (COAPA), Ricardo Khouri, participou de uma reunião na sede do DNIT ao lado da bancada federal, prefeitos, representantes do Governo do Tocantins e do setor produtivo. Durante o encontro, a comitiva cobrou providências urgentes para minimizar os impactos causados pela interdição da ponte.
Como resultado da reunião, o DNIT confirmou o início imediato da chamada prova de carga. Nesse procedimento, técnicos posicionam caminhões carregados sobre a ponte e utilizam sensores para medir o comportamento da estrutura sob diferentes níveis de peso.
Além disso, o órgão informou que divulgará o laudo técnico conclusivo até 17 de julho de 2026. Com base nesse documento, os engenheiros definirão se a ponte poderá passar por recuperação ou se será necessária a construção de uma nova estrutura.
Região enfrenta impactos desde a interdição
A ponte permanece interditada desde maio, quando inspeções identificaram rachaduras e deslocamentos em sua estrutura central. Desde então, moradores, produtores rurais, transportadores e empresas enfrentam dificuldades para circular entre os municípios.
Como consequência, o transporte de cargas ficou mais caro, o tempo de deslocamento aumentou e diversos setores da economia regional passaram a registrar prejuízos. Além disso, produtores e empresas passaram a enfrentar desafios logísticos para escoar a produção.
Durante a reunião, as autoridades também solicitaram que o DNIT acelere o funcionamento das balsas gratuitas. Da mesma forma, cobraram melhorias nos acessos aos portos de embarque. Além disso, pediram a manutenção das rodovias TO-010 e BR-235, utilizadas como rotas alternativas.
COAPA destaca prejuízos ao setor produtivo
Antes da audiência oficial, Ricardo Khouri conversou diretamente com o diretor-geral do DNIT, Fabrício Galvão. Ao lado da presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, ele apresentou os impactos econômicos provocados pela interrupção da travessia.
Segundo o presidente da COAPA, a situação compromete a competitividade de atividades fundamentais para a economia tocantinense, como a produção de grãos, etanol e pecuária. Além disso, ele alertou para os reflexos sobre o emprego e a renda na região.
“Ressaltei que, caso o quadro persista, haverá uma redução no nível de emprego e renda. Solicitei uma atenção especial ao tema, considerando as dificuldades enfrentadas pela população e pelo setor produtivo”, afirmou.
Ainda segundo Khouri, a reunião trouxe avanços importantes, principalmente porque o DNIT apresentou um cronograma para os estudos técnicos.
Na avaliação dele, caso os engenheiros consigam aproveitar os pilares existentes, será possível reduzir significativamente o prazo da obra.
“Pelo que compreendi, caso seja possível aproveitar os pilares existentes, procedendo apenas à demolição do tabuleiro e da caixa estrutural, o cronograma poderia ser reduzido à metade do tempo inicialmente previsto. Havendo a necessária vontade política e o compromisso conjunto em solucionar a demanda, acredito ser perfeitamente possível concluir a obra em um prazo bastante razoável”, declarou.
Reunião reuniu autoridades do Tocantins
Também participaram do encontro a senadora Professora Dorinha Seabra, líder da bancada federal do Tocantins; o senador Eduardo Gomes; o prefeito de Pedro Afonso, Joaquim Martins Pinheiro Filho; o prefeito de Tocantínia, João Alberto; Túlio Labre, representando a Agência de Transportes, Obras e Infraestrutura (Ageto); representantes do Governo do Tocantins e Luís Flávio, executivo da BP Bioenergy.
Agora, a expectativa se concentra na divulgação do laudo técnico. Caso o documento confirme a viabilidade da recuperação, o DNIT poderá acelerar o cronograma das obras. Por outro lado, se os técnicos apontarem a necessidade de substituição completa da estrutura, o órgão deverá definir um novo planejamento para restabelecer a ligação entre Pedro Afonso e Tupirama. Assim, a decisão deverá orientar as próximas ações para restabelecer a mobilidade e reduzir os impactos econômicos na região.
