Tecnologia da bola encerra polêmica e neurocientista explica por que o gol da Croácia foi corretamente anulado
Gol anulado da Croácia foi correto? Neurocientista explica por que tecnologia da bola é mais confiável que o olho humano
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A anulação do gol da Croácia contra Portugal, nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, segue gerando debates entre torcedores e especialistas. Muitos acreditam que as imagens da transmissão não mostram um toque suficiente para justificar o impedimento. No entanto, segundo o neurocientista Fabiano de Abreu Agrela, a tecnologia utilizada na bola oficial é significativamente mais precisa do que a percepção humana.
De acordo com o especialista, a diferença está na capacidade de processamento. Enquanto o cérebro interpreta imagens em uma velocidade limitada, o sensor instalado na bola registra dados físicos em intervalos extremamente curtos. Assim, mesmo um contato quase imperceptível pode ser detectado com precisão.
Sensor da bola registra o que o olho humano não consegue perceber
Segundo Fabiano de Abreu, o sistema visual humano distingue eventos separados em frequências entre 30 Hz e 60 Hz. Na prática, movimentos que duram apenas alguns milissegundos acabam sendo interpretados como um único movimento contínuo.
Já a unidade de medição inercial (IMU) instalada na bola oficial opera a aproximadamente 500 Hz. Ou seja, ela coleta informações a cada dois milissegundos, registrando impactos físicos impossíveis de serem percebidos pela visão humana.
Por isso, o pequeno desvio provocado pelo atacante croata ocorreu em um intervalo de tempo que o cérebro simplesmente não consegue identificar conscientemente.
Por que as imagens da TV podem enganar?
Embora muitos torcedores utilizem os replays para defender que não houve toque, o especialista explica que a transmissão televisiva também possui limitações.
Além disso, o cérebro reconstrói automaticamente partes dos movimentos utilizando mecanismos conhecidos como persistência retiniana e integração temporal. Como consequência, a trajetória da bola parece contínua, mesmo quando ocorre um contato muito rápido.
Outro fator citado pelo neurocientista é o chamado Efeito Flash-Lag. Esse fenômeno faz com que o cérebro projete objetos em movimento ligeiramente à frente de sua posição real.
Dessa forma, em lances extremamente rápidos, a percepção humana pode apresentar diferenças em relação aos dados registrados pelos sensores eletrônicos.
Como funciona a tecnologia da bola da Copa do Mundo
Ao contrário do que muitos imaginam, o sistema eletrônico não analisa imagens de vídeo para determinar o toque.
Em vez disso, o sensor mede diretamente alterações físicas na bola.
Sempre que ocorre um contato, por menor que seja, a transferência de energia gera uma vibração instantânea. Logo depois, essa alteração transforma-se em dados eletrônicos enviados ao sistema de arbitragem.
Além disso, como o equipamento trabalha com medições físicas, ele elimina problemas comuns das imagens, como ângulo de câmera, perspectiva ou qualidade da transmissão.
Segundo o especialista, sensores desse tipo apresentam índice de falso positivo inferior a 1%, embora qualquer equipamento eletrônico possa sofrer falhas excepcionais por fatores técnicos, como descalibração ou problemas de energia.
Neurociência reforça decisão da arbitragem

Na avaliação de Fabiano de Abreu, a controvérsia surgiu porque as pessoas tendem a confiar mais naquilo que enxergam do que em informações obtidas por sensores.
Entretanto, a neurociência demonstra justamente o contrário: a percepção humana possui limitações biológicas conhecidas, enquanto a tecnologia mede eventos físicos com precisão muito superior.
Por isso, segundo o especialista, a decisão da arbitragem ao anular o gol croata foi tecnicamente correta, já que o sensor identificou um toque real na bola antes do passe para o jogador que estava em posição de impedimento.
Entenda o lance que gerou polêmica
O lance aconteceu nos minutos finais da partida entre Portugal e Croácia.
Após cruzamento para a área, Joško Gvardiol marcou o gol que levaria o confronto para a prorrogação. No entanto, a revisão do VAR identificou que Igor Matanović desviou levemente na bola antes de ela chegar ao companheiro.
Como Mario Pašalić estava adiantado exatamente nesse instante, o impedimento foi confirmado com base nas informações fornecidas pelo sensor da bola, validando a decisão da arbitragem.

