Investigação revela conversas de pai que usava ChatGPT para registrar plano de matar o filho de 8 anos

As conversas de um agricultor de 36 anos preso no Espírito Santo revelam que ele usava o ChatGPT como uma espécie de diário enquanto planejava matar o próprio filho, de 8 anos. Segundo a Polícia Civil, o objetivo seria evitar o pagamento de pensão alimentícia à ex-companheira.
Os investigadores tiveram acesso às mensagens após um alerta enviado pela OpenAI às autoridades. O homem foi preso em São Gabriel da Palha um dia antes da data em que, conforme a investigação, pretendia cometer o crime.
Conversas mostram planejamento
De acordo com a investigação, o agricultor contou à inteligência artificial que tentou contratar um pistoleiro por R$ 50 mil para matar o próprio filho.
Nas mensagens, ele afirmou que o homem recusou o serviço ao descobrir que a vítima seria uma criança.
Além disso, o suspeito pesquisou sobre venenos, ataques contra policiais e atentados em locais públicos.
Em uma das conversas, escreveu:
“Essa semana pensei em pegar a arma e matar uns dois policiais perto do batalhão.”
Em outro trecho, afirmou:
“Queria saber de onde vem essa vontade de matar as pessoas. Eu gosto de ver outra pessoa sofrer.”
OpenAI enviou alerta às autoridades
Segundo a Polícia Civil, a OpenAI identificou o conteúdo das conversas e comunicou o FBI. Em seguida, a agência norte-americana repassou as informações ao Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça, que acionou a Polícia Civil do Espírito Santo.
A partir disso, os investigadores identificaram o suspeito, confirmaram que ele tinha um filho e solicitaram à Justiça mandados de busca e prisão preventiva.
Investigação continua
Durante o interrogatório, o agricultor admitiu que realizou as pesquisas, mas negou que pretendesse matar o filho.
Mesmo assim, o delegado Breno Andrade afirmou que as provas técnicas sustentam a investigação. Segundo ele, a perícia no celular poderá apontar novos crimes, como tentativa de homicídio, ameaça, incitação ao crime e apologia ao crime.
O delegado destacou ainda que este é o primeiro caso do tipo no Espírito Santo e apenas o terceiro registrado no Brasil envolvendo comunicação de uma plataforma de inteligência artificial às autoridades.
