OMS alerta para risco de pandemia ainda mais devastadora e faz aviso: “O mundo não está mais seguro”

O risco de pandemia voltou ao centro das preocupações globais após novo alerta de especialistas ligados à Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo relatório do Conselho Global de Monitoramento da Preparação, a capacidade mundial de prevenção e resposta não acompanha o avanço das ameaças sanitárias.
O grupo afirma que a situação é alarmante. De acordo com os especialistas, o risco de novas emergências de saúde aumenta, enquanto investimentos, confiança pública e medidas de preparação perdem força.
O alerta foi divulgado em meio a uma nova emergência global declarada pela OMS por causa de um surto de ebola na República Democrática do Congo e em Uganda.
Risco de pandemia preocupa especialistas
O Conselho Global de Monitoramento da Preparação foi criado após a crise do ebola na África Ocidental. O objetivo era evitar que o mundo voltasse a enfrentar uma emergência sanitária devastadora.
No entanto, os especialistas afirmam que a preparação global segue insuficiente. Desde 2016, o planeta enfrentou cinco grandes emergências de saúde pública, incluindo a pandemia de Covid-19.
O relatório aponta que surtos de doenças infecciosas estão mais frequentes e mais impactantes. Além disso, os efeitos econômicos dessas crises também aumentaram.
Outro ponto de preocupação é a desigualdade no acesso a vacinas, tratamentos e medidas de controle. Para os especialistas, há sinais de queda no compromisso político e financeiro com a equidade em saúde.
OMS enfrenta cenário global mais instável
A própria OMS atravessa um momento delicado. A organização enfrenta pressões políticas, cortes de financiamento e enfraquecimento da cooperação internacional.
Segundo o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, o mundo vive tempos difíceis, perigosos e divididos. Conflitos armados, crises econômicas, mudanças climáticas e redução da ajuda internacional afetam diretamente as políticas de saúde.
O relatório também afirma que a preparação para pandemias precisa de financiamento sustentável e compromisso político contínuo. Sem isso, o mundo pode entrar em um ciclo de crises sanitárias cada vez mais rápidas e difíceis de controlar.
Doenças zoonóticas aumentam ameaça
Especialistas também chamam atenção para o avanço das doenças zoonóticas, transmitidas de animais para humanos. Esse tipo de risco cresce com as mudanças climáticas, a destruição de ecossistemas e a aproximação entre pessoas e animais silvestres.
O recente surto de hantavírus em um cruzeiro no Atlântico reforçou esse alerta. Embora o episódio aparente estar controlado, ele mostrou como uma doença infecciosa pode rapidamente gerar preocupação internacional.
A comunidade científica estima que existam milhares de vírus ainda desconhecidos circulando em mamíferos selvagens com potencial de infectar humanos.
Nem todos representam risco pandêmico. No entanto, basta um agente com transmissão eficiente para provocar uma crise global, como ocorreu com a Covid-19.
Especialistas defendem vigilância e resposta rápida
O relatório recomenda a criação de um sistema independente de monitoramento do risco de pandemia. Também defende acesso mais justo a medidas de saúde e combate à desinformação.
Outra prioridade é fortalecer a abordagem chamada “Uma Só Saúde”, que conecta saúde humana, animal e ambiental.
Segundo os especialistas, confiança pública e equidade são pilares essenciais para prevenir e controlar novas emergências.
A OMS mantém uma lista de vírus prioritários por causa do potencial de causar grandes surtos. Entre eles estão ebola, Marburg, febre de Lassa, MERS, SARS, Nipah, Zika e a chamada “Doença X”, nome usado para um possível patógeno ainda desconhecido.
Para pesquisadores, o mundo não deve viver com medo, mas precisa manter vigilância constante. A resposta rápida, o financiamento adequado e a cooperação entre países serão decisivos diante da próxima emergência sanitária.
