MPTO cobra revisão de normas que podem prejudicar inclusão escolar no Tocantins
O Ministério Público do Tocantins recomendou a revisão de normas estaduais que podem comprometer a inclusão escolar. A medida foi direcionada à Secretaria de Estado da Educação (Seduc) e ao Conselho Estadual de Educação (CEE).
A 10ª Promotoria de Justiça da Capital identificou possíveis retrocessos na Instrução Normativa Seduc nº 05/2025 e na Resolução CEE/TO nº 019/2024. Por isso, o órgão decidiu agir.
Segundo a promotora Jacqueline Orofino, as regras atuais restringem o suporte pedagógico. Além disso, elas afetam diretamente estudantes com deficiência, Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outros grupos protegidos por lei.
Um dos principais problemas envolve a atuação do Profissional de Apoio Escolar. Atualmente, as normas limitam esse profissional a funções básicas, como alimentação, higiene e locomoção.
No entanto, esse entendimento é considerado inadequado. Para muitos alunos, o apoio escolar garante comunicação, interação e acesso ao conteúdo em sala.
Além disso, outro ponto crítico envolve o Atendimento Educacional Especializado (AEE). O MPTO alerta que algumas escolas utilizam o serviço de forma incorreta.
Ou seja, o AEE deve complementar o ensino regular, e não substituí-lo. Caso contrário, a exclusão do aluno da sala comum compromete a inclusão.
Prazo para mudanças
O MPTO estabeleceu prazo de 60 dias para ajustes. Nesse sentido, o órgão exige a revisão das normas para evitar interpretações restritivas.
Além disso, a recomendação proíbe a negativa de apoio escolar com justificativas genéricas. Por exemplo, limitações orçamentárias não podem impedir o atendimento.
Da mesma forma, decisões devem considerar cada caso individualmente. Portanto, a recomendação também proíbe a exigência de diagnóstico médico ou critérios administrativos.
Outro ponto importante envolve a capacitação de profissionais. Assim, gestores e professores devem receber formação sobre educação especial.
Por fim, a promotora alertou para possíveis medidas judiciais. Caso as práticas irregulares continuem, o sistema poderá enfrentar sanções.
Segundo ela, falhas no serviço educacional prejudicam diretamente o desenvolvimento de crianças e adolescentes.
