Cade aprova por unanimidade operação da Azul Linhas Aéreas com a United Airlines
O plenário do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, por unanimidade, o ato de concentração que amplia a participação da United Airlines na Azul. A operação ocorre no contexto do processo de reorganização judicial da companhia brasileira nos Estados Unidos, conduzido sob o Chapter 11.
Com a aprovação, a participação da United no capital social da Azul passará de 2,02% para aproximadamente 8%. A Superintendência-Geral do Cade já havia autorizado o negócio em rito sumário, por entender que não havia riscos concorrenciais relevantes.
O Instituto de Pesquisas e Estudos da Sociedade e Consumo (IPSConsumo), no entanto, recorreu da decisão. O instituto argumentou que a operação deveria ter sido analisada em conjunto com um possível negócio envolvendo a American Airlines, ainda não notificado ao Cade, alegando forte entrelaçamento estratégico entre as empresas no âmbito do Chapter 11.

Segundo o IPSConsumo, a participação minoritária da United tanto na Azul quanto na holding Abra Aviação — controladora da Gol — poderia facilitar o compartilhamento de informações sensíveis e viabilizar condutas coordenadas entre concorrentes no mercado aéreo latino-americano.
O relator do caso, conselheiro Diogo Thomson, afirmou que o novo Estatuto Social da Azul prevê salvaguardas para restringir o acesso a informações concorrencialmente sensíveis e mitigar conflitos de interesse.
“Entendo que as preocupações concorrenciais associadas ao potencial compartilhamento de informações sensíveis mostram-se, no presente momento, suficientemente mitigadas”, declarou.
Ainda assim, Thomson destacou que, caso a American Airlines venha a ingressar na estrutura societária da Azul, o Cade realizará análise concorrencial mais aprofundada, podendo exigir medidas mitigadoras.
O relator manteve a decisão da Superintendência-Geral, ressaltando que as disposições previstas no novo estatuto e os compromissos assumidos pelas partes foram considerados premissas relevantes para a aprovação da operação.
Riscos e Chapter 11
Durante a tramitação, a Azul alertou o Cade sobre os riscos financeiros associados a eventual atraso na análise. A companhia afirmou que a demora na saída do Chapter 11 poderia comprometer sua saúde financeira e continuidade operacional.
Segundo a empresa, a operação é fundamental para que a Azul permaneça competitiva no mercado doméstico e internacional. A aérea também destacou os altos custos mensais do processo de reestruturação.
O plano de recuperação, iniciado em maio de 2025, estabelece como condição para a saída do Chapter 11 a captação de pelo menos US$ 850 milhões por meio de oferta pública de ações. Desse total, US$ 750 milhões serão aportados por credores e US$ 100 milhões pela própria United.
Com a reestruturação concluída, a Azul afirma que estará financeiramente mais sólida para expandir operações e aumentar a oferta de voos, ampliando a concorrência no setor aéreo.
